Deus, a galinha e o senador


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Existe uma estória que diz que Deus criou o mundo em seis dias. No sétimo, o Criador teria dedicado a ouvir as reclamações de suas obras. Dizem que a primeira a se apresentar foi a girafa. Desbocada como era, dona girafa já chegou xingando e falando palavrões e de forma incisiva argumentou - “esse meu pescoço enorme é ridículo, foi sacanagem fazer isso comigo”. E Deus, pai da sabedoria e da paciência tratou logo de acalmá-la e explicou-lhe o motivo de tal peculiaridade: “Tudo foi muito bem pensado. Com esse pescoço comprido, além da senhora poder comer as folhas mais tenras do alto das árvores, vai poder perceber a aproximação do inimigo antes dos outros animais e assim se defender”. A girafa convencida das explicações dadas por Deus seguiu seu caminho sem nunca mais reclamar do longo e desajeitado pescoço. O segundo da fila de reclamações era o elefante. Estava injuriado e diante de Deus, seu criador, fez sua reclamação: “eu sou enorme de gordo e tenho esta tromba toda na minha cara, que coisa mais ridícula”. “Mais uma vez a paciência e a sabedoria de Deus foram suficientes para explicar ao elefante que com aquele tamanho todo, nem o Leão, que é o rei da selva, teria coragem de enfrentá-lo e, além do mais, graças àquela tromba, ele era o único animal da selva que podia tomar banho de chuveirinho”. Diante dos argumentos, o elefante se convence de suas virtudes e segue seu caminho. A natureza parecia estar sob controle quando então aparece um senador. O homem da lei, o sábio conhecedor e respeitador dos direitos e dos princípios morais e éticos ocupa seu lugar na tribuna e reclama não de si, nem de suas limitações, mas reclama, isto sim, da galinha (leia em http://congressoemfoco.ig.com.br/ultimas. aspx?id=21708). O nobre senador blasfema contra a pobre da penosa, afirmando ser irritante seu cacarejar, não só o dela, mas o de seu companheiro também. Este último, um animal que nem Deus sabia que cacarejava. Chamada à presença de Deus, dona galinha nega veementemente todos os seus cacarejos, não só os seus, mas também os que teriam sido atribuídos a seu companheiro. Afirma ela na presença de seu Criador jamais ter cacarejado além da conta e que nunca, jamais, teria subido no poleiro sem antes ter terminado sua obra. Deus chama novamente o tal senador e repreende sua excelência pelas calúnias proferidas contra tão nobre e importante criatura. Indaga então, ao representante do povo: ‘Quem és tu, servo de Deus, para se achar no direito de julgar tão bela criatura? E o que queres que eu faça então com a galinha, meu filho? Como posso aliviar-te do sofrimento de ouvir seus cacarejos sempre que põe um ovo?”, diz Deus. E sua excelência responde: “Penso que há duas alternativas, querido Pai: ou o Senhor diminui o tamanho dos ovos ou aumenta o tamanho da ..., mas para o bem do povo, faça com que ela pare de cacarejar...”. Desculpem-me meus leitores. Eu não podia perder a piada... Alexandre Henrique Leonel Farmacêutico, integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca

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