Rui César Bueno, gerente da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) da Sabesp, disse que o problema com mau cheiro e insetos não ocorre nas lagoas. Para ele, a maioria dos casos é uma confusão dos moradores. “Em 90% dos casos o odor é por problemas na galeria de águas pluviais, bocas-de-lobo ou lixo em terrenos. Há situações em que as pessoas jogam fraldas ou outros objetos que entopem a rede e o esgoto pára nas curvas provocando mau cheiro. Neste caso, providenciamos a limpeza”.
Rui também não acredita que os pernilongos procriem nos tanques de tratamento de esgoto da companhia. “O pernilongo não gosta de água suja e não costuma botar em água de esgoto. É provável que os ovos eclodam nas beiras dos córregos existentes próximos às lagoas”, disse.
Sobre a sugestão de alguns moradores para cobrir os tanques, o gerente explicou que isso não é possível. “No processo de tratamento, o sol é essencial. Ele é importante para as algas fazerem fotossíntese e produzirem oxigênio para os microorganismos que tratam o esgoto, além de provocar o movimento da água. Quando o sol bate, a parte de cima esquenta, fica mais leve e sobe, trazendo a parte do fundo para cima”.
A Sabesp realiza um monitoramento dos tanques. Rui César disse que um funcionário percorre-os todos os dias para saber se há alguma anormalidade. Em janeiro, a companhia recebeu uma queixa e duas em fevereiro. “São poucos casos. Mas quem tiver problemas pode ligar no 195”.
Os moradores do Aeroporto se queixaram do fácil acesso de crianças aos locais de esgoto. Rui disse que a Sabesp os cerca com arame farpado, mas os pontos são alvo de constantes furtos das cercas.
FUNÇÃO IMPORTANTE
O biólogo e professor Alex Melo disse que as larvas vistas nas lagoas são de mosquitos, mas de espécies que não são nocivas à saúde. “O risco de ser do mosquito da dengue é mínimo, pois o Aedes aegypti (causador da doença) prefere procriar em águas limpas”. As garças e outros pássaros encontrados no local estão na região para se alimentarem desses insetos.
O esgoto armazenado sofre decomposição e fermentação e nesses processos são liberados gases, mas, segundo Alex, eles não são prejudiciais à saúde. O cheiro ruim é do enxofre, parecido com ovo podre.
Alex disse que as lagoas geram transtornos, como o cheiro forte e insetos, mas os danos seriam maiores se não existissem. “As lagoas melhoram a qualidade do efluente jogado fora. Ela trata o esgoto antes. É melhor porque o esgoto doméstico causa o processo chamado eutrofização, que aumenta a matéria orgânica no meio ambiente, reduzindo o oxigênio e prejudicando peixes e insetos aquáticos”, disse o biólogo. Antes da instalação dos tanques, o esgoto era despejado diretamente nos córregos.
COMO FUNCIONA
No total, são treze tanques espalhados pela cidade. Com a lateral feita em concreto e o fundo com argila compactada, eles medem de 80 a 150 metros de extensão e têm de 1,20 a três metros de profundidade.
Os microorganismos presentes nas lagoas se alimentam do esgoto (matéria orgânica) e sobrevivem com o oxigênio gerado pelas algas que fazem fotossíntese dentro dos tanques. As algas dão o tom esverdeado à água. O esgoto passa de um tanque para o outro até ser despejado em rios e córregos. Como chega sem matéria orgânica, o material agride menos o meio ambiente.
A primeira lagoa foi instalada em 1979 e a última em 1992. As unidades deveriam ficar 500 metros longe das casas, mas com o crescimento da cidade, a medida não é respeitada.
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