Um cheiro do Inferno


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NOJENTO E FEDIDO - Crosta de esgoto formada em um dos tanques da Sabesp no Jardim Aeroporto cheira mal e está lotada de larvas de mosquitos: moradores reclamam de fedor
NOJENTO E FEDIDO - Crosta de esgoto formada em um dos tanques da Sabesp no Jardim Aeroporto cheira mal e está lotada de larvas de mosquitos: moradores reclamam de fedor
A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) mantém 13 lagoas (células) de estabilização de esgoto em Franca. Os tanques, instalados no Jardim Aeroporto, Palestina, Paulistano, São Francisco e City Petrópolis, ficam em locais cercados por árvores e grama. É possível ver garças, quero-quero e borboletas sobrevoando as regiões. Mas quem avista as lagoas à distância não imagina como são realmente. Gigantes, recebem esgoto dos bairros. Elas armazenam água escura e fedida. Nos cantos formam-se crostas de sujeira, onde é possível ver larvas de insetos se mexendo e vários mosquitos em volta. Os vizinhos das lagoas têm sofrido com o mau cheiro e insetos que, para eles, “brotam” delas e invadem suas casas. No Aeroporto, os tanques foram apelidados de “bosteiros”. Ao sair na calçada de casa, a sapateira Raquel Azevedo, 37, avista as lagoas que ficam a cerca de 800 metros de distância. Ela mora no Jardim Aeroporto IV há apenas seis meses, mas já está cansada de sentir cheiro de esgoto e ser atacada por pernilongos. “Ninguém agüenta o fedor da lagoa e os bichos que andam lá. À noite, eles sobem tudo para cá. É muito ruim. As crianças reclamam. Na hora que a turma vai almoçar sobe aquele cheiro horrível de lá. A gente perde a vontade de comer”, disse, nervosa. Raquel chega a ter nojo de usar os utensílios em sua própria residência. “Guardo os copos dentro da geladeira para os mosquitos não assentarem e ainda enxáguo antes de usar. É ruim viver assim”. A moradora arrisca uma medida para amenizar o incômodo: proteção sobre os tanques. “Acho que deveriam tampar essas lagoas para o cheiro não exalar. Só abririam na hora de limpar”. Vizinha de Raquel, a sapateira Josiane Diogo, 30, enfrenta o problema há mais tempo. Mora no bairro há 11 anos e deseja uma solução. “Para mim tinha de tirar essas lagoas daqui. Se tivesse jeito de carregar esses ‘bosteiros’ para bem longe seria muito bom porque incomoda muito. Sem contar o perigo das crianças que descem lá. Muitos vão lá brincar em tempo de cair lá dentro”, disse ela, mãe de quatro crianças menores de 11 anos. Mesmo morando mais afastada da lagoa, no Aeroporto III, as costureiras de sapato Eva Batista, 67, e Rita Batista, 40, são incomodadas pelo fedor e invasão de insetos em suas casas. “Tem muito pernilongo, em todos os cômodos. Parece que vão carregar a gente. Dá seis horas da tarde a gente fecha tudo a casa, mas eles entram mesmo assim. Não sei como conseguem”, disse Eva. OUTRO BAIRRO, PROBLEMAS IGUAIS Os tanques da Sabesp no Jardim Palestina também incomodam os vizinhos. O vigilante Genivaldo da Silva, 39, mora no Jardim São Luiz, na rua atrás das lagoas, há 19 anos, e disse que os insetos proliferaram depois da instalação das mesmas. “É muito mau cheiro e pernilongo. Antes não tinha tantos insetos aqui, mas há uns dez anos, depois das lagoas, ficou muito ruim. Meus dois filhos são alérgicos e só com remédios para isso gasto de R$ 30 a R$ 40 por mês”. Genivaldo costuma acionar a Sabesp com freqüência para reclamar do odor e bichos vindos das lagoas. Ele é atendido, mas as medidas tomadas são paliativas. “Quando ligo no 195 (central de atendimento da Sabesp), os funcionários sempre dão atenção, limpam as lagoas, mas não dura muito. Acho que deveriam ser construídas mais afastadas da cidade”. Rui César Bueno, da Sabesp, disse que nem sempre o odor e insetos são das lagoas. O biólogo Alex Melo falou da importância das lagoas e que não representam risco à saúde. “Sem elas, os danos aos meio ambiente seriam inevitáveis”.

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