Seis homens armados com espingardas, carabinas e escopetas invadiram a Usina Jaguara, onde funciona o posto de distribuição da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), em Sacramento (MG), e realizaram um roubo de grandes proporções. Mantiveram 17 pessoas como reféns por quatro horas e as obrigaram a carregar um caminhão com bobinas de cobre. Levaram ainda um carro, uma caminhonete, armas, coletes à prova de bala e produtos eletrônicos. A empresa contabiliza o prejuízo e acredita que poderá ultrapassar a casa dos R$ 200 mil.
Planejada com antecedência, a ação começou a ser executada às 22h30 de quarta-feira, quando os criminosos invadiram a usina por um matagal próximo à guarita. Não tiveram a menor dificuldade para render dois vigias e cortar os fios de telefone. Entraram com as armas em punho e foram rendendo os funcionários. Os que chegaram para trabalhar depois da troca do turno também foram tomados como reféns, inclusive, duas mulheres e crianças. Elas haviam estranhando a demora dos parentes e foram ver o que estava acontecendo.
Segundo a Polícia Civil da cidade, 17 pessoas teriam sido rendidas pelos assaltantes. “As vítimas foram levadas para a sala de controle central e trancadas. Parte do grupo foi obrigada a ajudar os criminosos a carregarem os produtos roubados para o caminhão”, contou o delegado César Felipe.
Os ladrões levaram grande quantidade de bobinas de cobre - a polícia chegou a falar em cinco toneladas - um revólver, coletes, rádiotransmissores, computador, dois laptops, toca-CDs, oito celulares, uniforme dos seguranças e R$ 1 mil de uma das vítimas. Permaneceram no interior da empresa até as 2h30 de ontem. Na fuga, levaram o caminhão, uma caminhonete D20 e um Gol, todos da empresa. O carro foi abandonado nas proximidades.
A polícia só foi chamada 30 minutos depois, quando as vítimas conseguiram se soltar. “Estamos ouvindo as testemunhas e buscando informações, mas ainda não temos pistas dos assaltantes. Com certeza, eles estudaram a rotina da usina e planejaram a melhor forma de agir. Como não há barreiras na divisa com o Estado de São Paulo, eles devem ter passado com os veículos sem serem notados”.
Diretores e funcionários da usina não foram autorizados a falar sobre o roubo. O pai de uma das vítimas contou - sob a condição de anonimato - que o desespero foi grande. “Tinha muito ladrão, todos com armas de grosso calibre. Não agrediram ninguém, mas a pressão psicológica foi enorme. A usina só pensa em lucro e não cuida da segurança. São apenas três vigilantes para cuidar de um canteiro tão grande. Os funcionários estão todos com medo”.
Atualmente, a usina de Jaguara trabalha com 30 funcionários, além de 46, em média, que fazem parte da limpeza e segurança. Ela tem quase 40 anos de funcionamento e, dentro da Cemig, é a quarta maior produtora de energia, com 8% do total produzido pela central.
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