Vivendo e aprendendo a votar


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Os partidos políticos se agitam na perspectiva de cumprir um pacote de medidas que deverão orientar a escolha dos candidatos e candidatas para as próximas eleições. Indiscutivelmente, esta é a resposta devida à democracia, a fim de que um novo tempo seja propício, para que a justiça possa florescer nesses campos como lírios da paz. O objetivo principal dessas medidas seria cortar o mal pela raiz construindo indicadores inegociáveis, que fazem parte de um software de segurança máxima. As configurações serão analisadas pelo sistema que produzirá o resultado final. Esse ‘parecer’ definirá destinos e os rumos da Nação, frente às exigências dessa nova geração de servos e servos do povo, a partir dos municípios. Alguns indicadores foram fornecidos para a primeira etapa da seleção de candidatos. Biografia ética e moral íntegra, QI espiritual, visão de mundo madura, coragem de inovar, capacidade de integrar e interagir sinergicamente pessoas e pontos de vistas, participação comprovada no voluntariado, conselhos ou movimentos sociais. Essas e demais condicionalidades prometem aterrorizar partidos que buscam em seus quadros pessoas que se enquadrem nesse perfil. Importante: ao final, todos passarão por um detector de mentiras. A vigência será a partir da data de sua publicação. Brasília, Primeiro de Abril de 2008... Mesmo não acontecendo, nova esperança deve ser imortal. Não teremos nada disso, mas podemos mudar o enredo, se quisermos. O grau de conhecimento dos cidadãos, das estruturas políticas e suas instituições tem sido insuficiente para tomada de decisões. O desencanto com as instituições e os políticos tem provocado um grande distanciamento entre o cidadão e as atividades políticas. Sem essa presença a corrupção é facilitada pois estimula o clientelismo, o corporativismo, o patrimonialismo e o cinismo. Uma roda-viva se apresenta afastando o cidadão da política e a política dele, formando um círculo vicioso que não tem permitido à sociedade distinguir qualidades e vícios; os bons e os maus políticos que, eventualmente, surgirem no percurso do poder. A verdade é que o voto tem conseqüências e a vítima pode ser você, eu e toda uma coletividade. O analfabetismo político é paralisador, assim como o desinteresse, em que pese o desencanto. Incapaz de entender seus meandros ocorre a desistência em face da incapacidade de intervir nas realidades que lhe dizem respeito. Nessa escuridão, jovens e adultos não se identificam com posições ideológicas, até porque as ignoram. A exclusão cultural a que estão entregues, não tem permitido visão crítica que facilite a compreensão e interpretação dos acontecimentos coerentes com os princípios da democracia. A sofisticação e refinamento políticos são feudos cujos senhores encontram-se aprisionados nas benesses do Estado. Um exemplo de refinamento de sofisticação política a serviço da democracia é encontrado em constituições mais avançadas. Nos Estados Unidos, as cidades escolhem a estrutura de governo, prefeitos eleitos por dois anos com reeleições tantas quantas o povo decidir. Na Carolina do Norte há comunidade com 320 mil habitantes administrada por estrutura político-administrativa com prefeito e seis vereadores..., três pelo voto distrital e três pela cidade. Este grupo tem um conselho presidido pelo prefeito, responsável pelo planejamento estratégico, com execução a cargo de um gerente de cidade, altamente qualificado e igualmente remunerado. É ele o tocador de obras e responsável pela execução do planejamento. O caráter apolítico do cargo garante eficiência e efetividade. Não usa de moedas-de-troca, princípio da economia palaciana e permanece distanciado de mensalinhos e mensalões. Parafraseando o Vandré: “Votando e aprendendo a votar, nem sempre ganhando, mas...aprendendo a votar!” SOFISTICAÇÃO JÁ! Marcello Baquero (1997) coordenador do projeto Reinventando a Sociedade explica a sofisticação política configurada em cinco categorias: centralidade conferida à política, informação acerca da política, conhecimento sobre assuntos políticos, senso de eficácia política, capacidade de conceitualização política. O conhecimento pode impedir que os cidadãos sejam logrados pelos incautos que decidem, de acordo com uma política personalista, ausente dos reais interesses daqueles que são diretamente afetados por ela. Ao assumirem, distanciam-se das questões que o conduziram. Valores como imparcialidade e racionalidade desaparecem, quando valores mais altos se levantam! FÉ E POLÍTICA A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Regional Sul 2, sob a presidência do Arcebispo de Curitiba Dom Moacyr Vitti, lançou a Cartilha de Orientações Políticas, elaborada em parceria com a Assintec (Associação Inter-Religiosa de Educação), com objetivo de ajudar os eleitores no discernimento do perfil ético e das motivações daqueles que se apresentam como candidatos às eleições municipais de outubro. A Cartilha é fundamentada na Doutrina Social da Igreja. Vale a pena conhecer, quem sabe assim a gente se anima e aprende a votar! CONSCIÊNCIA Essa é para áreas político-estratégicas. Na cidade de Cambridge, com 110 mil habitantes nos Estados Unidos, por ocasião de manifestação popular em torno da reciclagem do lixo da cidade e falta de recursos, foi feita uma proposta de aumento de impostos pelo prefeito, mediante consulta popular mais ou menos assim: ‘Você concorda com o aumento de impostos e o aumento de seus impostos?’ A resposta foi unânime: “Sim”. No prazo previsto, a usina foi entregue à população. Isso é que é consciência política.

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