Alheias ao perigo, 540 jovens engravidam a cada ano em Franca


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Mais de 540 adolescentes com idades entre 13 e 18 anos engravidaram em Franca durante o ano de 2007. Destas, 449 deram à luz. As demais, que somam cerca de 20% dos casos, tiveram a gestação interrompida por abortos espontâneos. A gravidez precoce é considerada arriscada pelos médicos: mãe e bebê correm riscos de morte em decorrência da falta de maturidade física das jovens. Embora os hospitais da cidade não tenham dados que comprovem a evolução no número de casos ano a ano, médicos afirmam que ela é crescente e preocupante. A estudante Carla (nome fictício) acaba de completar 17 anos e está no sexto mês. Já foi internada duas vezes por causa de complicações. Não convive com o pai da criança, o qual namorou por dois meses antes de engravidar. A relação terminou pouco tempo depois. A jovem diz que queria ficar grávida, mesmo consciente dos problemas que poderia vir a ter. “Meu sonho é ser mãe, mas sei que vou passar por grandes dificuldades”, afirma, com naturalidade. A realização de seu desejo é vista de outra forma por especialistas no assunto. Para a ginecologista Ana Lúcia Castro, que trabalha com orientação sexual para adolescentes há mais de 20 anos, Carla não tem idéia ainda das consequências da gestação. “O índice de abortos é maior em relação a uma adulta. Além disso, há riscos para a mãe de eclâmpsia, diabetes gestacional, prematuridade, dificuldades de amamentação e para a criança, entre outros, infecções respiratórias e intestinais e baixa imunidade”, diz. A médica diz que a evolução no número de gestações em adolescentes aumentou visivelmente desde o início de sua carreira, em 1985, e que os fatores que levam ao quadro são muitos. “Falta de estrutura familiar, banalização do sexo, a auto-suficiência típica dos jovens e a falta de maturidade. Eles até conhecem os métodos contraceptivos, mas não os utilizam”, diz. Os problemas não acabam com o parto. Os bebês também correm riscos. Segundo a neurologista Thaísa Mourão, a incidência de doenças e complicações no desenvolvimento cerebral, nestes casos, é maior em filhos de adolescentes. “Toda gravidez antes dos 19 e após os 35 incide em risco maior. Problemas como Síndrome de Down e neurológicos são mais comuns em bebês com mães adolescentes”, afirma. Outros problemas no pós-parto atingem em cheio as jovens mães. Quando passa o encanto da gravidez e elas se vêem de frente com a responsabilidade de educar e alimentar uma criança, muitas vezes sem o apoio do pai ou dos familiares, é comum a ocorrência de problemas psicológicos. “É um choque difícil de ser assimilado porque ainda não se trata de uma pessoa adulta. Dia desses, ela estava brincando de boneca e agora tem de dividir sua vida com um bebê. Isso traz muitos problemas de toda a ordem”, diz o pediatra Eduardo Simões. “O ideal é que tudo aconteça em seu devido tempo”.

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