Do nosso jeitinho


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Para tudo no Brasil dá-se um jeito. Não podemos fazer o melhor? Damos um jeito. Não podemos contratar a melhor pessoa? Damos um jeito. Não podemos comprar o melhor? Damos um jeito. Nós damos tantos “jeitos” que, se cada país pudesse construir um ser humano, no Brasil ele teria membros provisórios e cabeça provisória. Mas, acredite você ou não, esse ser humano existe e anda visitando o exterior. Quem “dá jeitinho” dentro do Brasil também “dá jeitinho” fora dele. O que não chegava a ser problema, até alguns anos atrás. Antes, o jeitinho resumia-se em não fazer “o melhor” mas sim, “o melhor que se podia fazer”. Agora, “dar jeitinho” é simplesmente fazer o mais fácil. Viver o presente, dizem alguns. Só que de tanto viver o presente, acabamos esquecendo as conseqüências dos nossos atos e tornamos, nós mesmos, seres humanos provisórios. Brasileiro que não conhece a lei de um país dá um jeitinho de nunca vir a conhecê-la. Brasileiro que não tem permissão de entrar “dá um jeitinho” de entrar sem permissão. Brasileiro que não tem autorização para ficar dá um jeitinho de viver na clandestinidade. É tanta bagunça na casa alheia que uma hora o dono da casa “dá um jeitinho” de nos mandar embora. O problema de ser mandado embora é que nem todos os brasileiros são seres humanos provisórios. E uns acabam pagando pelos outros. Mas quem disse que o mundo é justo? Nós, brasileiros, bem sabemos que não é. Afinal de contas, demos jeitinho durante muito tempo, mas nunca deixaram de nos visitar. Agora que estão dando jeitinho conosco, querem nos impedir de ir para lá. É, para isso, não tem jeito... Caroline Néri Rosa Publicitária

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