Nas últimas semanas, moradores do Jardim Aeroporto III e Prolongamento do Jardim Santa Bárbara, zona sul de Franca, têm sido obrigados a lidar com uma situação, no mínimo, inusitada. Várias residências nos dois bairros estão sendo invadidas por cobras de, pelo menos, duas espécies venenosas, coral e jararaca.
A dona de casa Rosângela Perez Calefe, 28, tomou um susto. Em apenas uma semana, cinco cobras apareceram em sua casa na Rua João Berdu Garcia. Duas corais e três jararacas foram encontradas na sala e no banheiro da casa. “Não acreditei quando vi aqueles bichos se arrastando. Quase morri do coração de tanto susto”.
Rosicler Peres Calefe, irmã de Rosângela, disse que, primeiro, apareceram duas cobras no tapete da sala. “Meu sobrinho de um ano e quatro meses de idade estava assistindo TV deitado no chão. Foi o maior perigo, quando percebemos uma das cobras já estava se enrolando e armando o bote para atacar. Ainda bem que a acertamos antes”. Depois, outros três bichos apareceram no banheiro.
Na semana passada, o vizinho de Rosângela também se deparou com uma jararaca no meio de sua sala. “Isso já virou rotina aqui na rua”, disse Rosângela.
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Na opinião dos moradores, a culpa pelo aparecimento dos répteis é da Prefeitura, que não cuida adequadamente de uma área na divisa entre o Jardim Aeroporto III e o Prolongamento do Jardim Santa Bárbara. No local, existe um manancial que acabou se transformando em um minilixão, cheio de entulho. “Com toda certeza, é deste lugar que estão saindo estas cobras”, disse Dulcelina Perez Calefe, mãe de Rosangela, também moradora no Jardim Aeroporto III.
Para a bióloga e professora Sheila de Souza Silva, as cobras estão deixando o seu habitat natural em razão do desmatamento do manancial. “Com a poluição e ação do homem, ratos, sapos e outros animais que servem de alimento para as cobras diminuiram. Sem alternativa para se alimentar, elas acabam saindo para procurar comida, principalmente nas proximidades”, disse a bióloga.
A recomendação para quem encontrar uma cobra em sua casa é manter-se afastado, não tentar manipular o animal e acionar o Corpo de Bombeiros ou a Vigilância Ambiental.
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