Fio de bigode


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Muitas vezes ouvi meu pai dizer: “palavra de homem!” Em outras ocasiões: “palavra de honra!” Ambas as expressões caíram em desuso ou perderam o seu verdadeiro significado. Meus antepassados, na plenitude da sua sabedoria, sempre diziam que o derradeiro contato ou compromisso era sacramentado apenas com um honroso fio de bigode. Durante décadas os negócios eram fechados sem nenhum documento assinado, somente com a palavra do homem. Hoje, esse tipo de negócio também ficou lá no passado. Vivemos num mundo globalizado, decorrente das informações mil, sendo necessários calhamaços de papéis para garantia de somente um único documento, assinados hoje, mas totalmente revogados amanhã. A palavra não tem mais um pingo de valor. Não adianta assinar o cheque, “pois o sem-vergonha não paga”! Nos bons tempos do fio de bigode, eu me lembro que meus avós, pais e tios faziam compras no açougue, na padaria ou na vendinha da esquina e bastava levar a famosa “caderneta” para ser preenchida com o valor dos gastos. Ao findar-se o mês, a caderneta já estava quitada, pronta para ser usada novamente. E olhem que as anotações eram feitas quase sempre a lápis, mas ninguém adulterava, era uma questão moral. Perto da casa de meus pais tinha a vendinha do Sebastião Isaac, na esquina da fábrica do Saméllo, na Rua General Osório. Minha mãe me pedia para buscar alguma coisa que estava em falta - geralmente gêneros alimentícios - mas alertava sempre: “Não se esqueça de levar a caderneta para anotações da compra, seu pai vai querer ver quando chegar do trabalho”. E não era por desconfiança, mas apenas para controle de gastos. À parte, minha mãe escrevia um bilhete, autorizando o dono da venda a me entregar e marcar na conta um pé-de-moleque - doce de leite com amendoins - paixão da garotada. E lá ia eu, feliz, magrinho, de calças curtas e suspensórios, buscar a encomenda, com o pensamento na minha recompensa, o pé-de-moleque. Hoje, em cada esquina tem uma padaria. Naquele tempo o litro de leite, que era de vidro, e o pão, chamado então de bengala, eram colocados nas portas das residências. Havia uma tampa de alumínio protegendo o leite, muitos vão se lembrar. Na casa de meus pais tinha um alpendre, ali eram deixados os litros vazios e o leiteiro do Laticínios Jussara, de madrugada, deixava outros com leite. Ainda tenho dois deles guardados em casa, como recordação. Muitas vezes o leiteiro ainda deixava manteiga e pacotes de doces de leite, em pedaços, deliciosos, também da Jussara, e ninguém mexia. Tudo para ser pago no final do mês. Valia a palavra de homem, o fio de bigode. Áureos tempos! Parece até filme de ficção! Ladrões eram raridade e a palavra empenhada valia tanto ou mais que assinaturas e garantias formais. Bons tempos aqueles em que o sujeito, mesmo levando prejuízo, não se arrependia do negócio e salvava o bigode. Ainda me lembro de uma expressão clássica de antigamente, repetida amiúde pelo meu velho avô, para quem, um fio do bigode valia mais do que uma escritura recheada de avais e fianças. O CASO ISABELLA O caso da menina Isabella, que apareceu morta no jardim de um prédio na capital paulista, comove o País e levanta questionamentos sobre os métodos da polícia, a eficiência da Justiça e mesmo o trabalho da imprensa. O pai da menina e a madrasta, que residem no edifício onde o crime ocorreu, são os principais suspeitos do provável homicídio e até o final da edição desta coluna estavam detidos preventivamente. À luz dos fatos, não podemos condenar a atitude emocional da população, que se comove justificadamente com os crimes que envolvem, sobretudo, crianças. Situação que evidentemente jamais deve ocorrer com as autoridades do Estado e a própria imprensa. Bom lembrar, neste crime não houve flagrante, por essa razão, enquanto os suspeitos não forem julgados, estão amparados pelo benefício da dúvida. ESCOLA BASE Lembram-se da Escola Base, em São Paulo, quando educadores foram acusados pela polícia de abusos sexuais contra uma criança que estudava na instituição? Sofreram linchamento moral, acabaram perdendo a escola por falta de alunos e suportaram uma enorme carga emocional pela acusação injusta. Descobriu-se mais tarde que os próprios pais eram os culpados. Esse exemplo deveria nortear os profissionais envolvidos na morte dessa menina, para que a justiça seja feita pelos ditames da lei, e não por ações precipitadas. NEGATIVO Em Franca, a rejeição aois atuais vereadores é impressionante. Com raras exceções, a maioria pode desde já aprontar a papelada e limpar as gavetas porque não contam com a míni-ma chance. É no que dá a posição assumida de lambe-botas. POSITIVO A primeira Copa Ouro é de Franca, conquistada com raça e determinação pelo nosso basquete vitorioso. Os comandados de Hélio Rubens não tomaram conhecimento de Araraquara na grande final e venceram com facilidade por 85 a 72, dando-se ao luxo de manter alguns reservas na quadra. Basquete, só alegria, mas nosso futebol... VIAGRA DE SAPO Notícia esquisita vem do Peru, onde o segredo do sexo não está no Viagra, tradicional comprimido azul. Lá, o remédio é um suco de sapo. No primeiro momento, achei que era suco de rã, que houve erro do tradutor. Rã ainda vai lá, pois é iguaria, e a carne é bem digerível. Mas fazer o que, se ali diz sapo? E vou lendo a receita: junte caldo de feijão branco, mel e plantas medicinais (sei lá quais). Acrescente um sapo sem pele (argh!) e bata bem no liquidificador. Segundo a população lá do Peru, garante mesmo o sucesso na hora H. E o preço é uma mixaria, mas nesta altura, com o sapo no meio...

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