O número de afogamentos na região de Franca quase dobrou em 2008. Até o momento, sete pessoas morreram em piscinas ou, na maior parte das vezes, em represas. No mesmo período do ano passado, foram quatro. Só no último sábado, aconteceram dois casos. A imprudência das vítimas e falta de profissionais preparados para socorrê-las são as principais causas das ocorrências. A região conta com apenas cem bombeiros para atender uma população de 600 mil habitantes (leia mais abaixo). O levantamento das mortes foi feito com base nas notícias do Comércio da Franca, que apontam que em 2007, foram 14 afogados.
O sargento Ismael, do Corpo de Bombeiros da cidade, disse que as mortes nas águas estão associadas à ingestão de bebidas alcoólicas, falta de preparo físico das vítimas e mergulhos após as refeições, sem a espera do tempo necessário para a digestão (de duas horas). “A pessoa entra no verão sem preparo físico porque acabou de terminar o inverno. A musculatura do corpo e sua parte física podem não estar preparadas para os exercícios, mesmo que o banhista saiba nadar”.
Uma das vítimas mais recentes da combinação água e bebida alcoólica foi o sapateiro Ademir da Silva, 38, que morreu sábado, 5. “Testemunhas nos informaram que o rapaz que se afogou no Clube dos Sapateiros havia bebido pinga com groselha e foi nadar em seguida. Não se mistura álcool com água, jamais”. A bebida compromete os reflexos e condições físicas da pessoa. “Ela entra no fundo, tenta voltar, se cansa e não consegue. Pode até sofrer uma parada cardiorrespiratória e se afogar”, alerta o bombeiro.
A falta de objetos de segurança é outro fator que provoca muitas mortes por afogamento. “Geralmente, a pessoa adentra na água em busca de uma bola ou barco e quando se dá conta do tanto que nadou, já está no fundo, sem dar pé. Ao se cansar ou se desesperar acaba se afogando”.
Para reduzir os afogamentos, os bombeiros costumam fazer campanhas em meados de agosto, no início do verão, com propagandas na mídia e entrega de panfletos com orientações de segurança nas rodovias. Dentre as dicas estão o uso de colete salva-vidas em jet-sky, caiaques, barcos, canoas e lanchas e aguardar duas horas após a última refeição antes de nadar para evitar congestão.
SALVE-SE QUEM PUDER
Os afogamentos são causados por uma conjunção de fatores, especialmente pela irresponsabilidade dos banhistas e pela ausência de profissionais aptos para socorrer quem tiver problemas enquanto nada. Os bombeiros poderiam prestar tal serviço, mas 91% das cidades da região não possuem corporações. A área é composta por 22 municípios e cerca de 600 mil habitantes, e tem apenas duas unidades - em Franca e Orlândia, com cem homens.
Sargento Ismael informou que Ituverava poderá ganhar um posto dos bombeiros, mas a confirmação oficial poderia ser feita apenas pelo capitão Alexandre Luís dos Santos, que ontem estava fora de Franca. “Se tiver mais postos, haverá mais chances de salvar, com certeza. Quando alguém se afoga, conseguimos resgata-la com vida até seis minutos depois. Quanto mais próximos, mais chance de salvar”.
Sem uma unidade dos bombeiros, a Prefeitura de Rifaina mantém três salva-vidas na represa de Jaguara (Rio Grande) aos fins de semana e feriados para vigiar os banhistas. Para o sargento Ismael, o modelo adotado lá deveria ser copiado por outros municípios com “prainhas” na região, como Miguelópolis, Ibiraci e Delfinópolis.
“Todas deveriam ter salva-vidas, pessoas autorizadas e aptas para resgatar da água e prestar os primeiros-socorros”, disse.
Das sete mortes registradas em 2008 na região, duas foram em Ibiraci (MG)/Peixoto. Ontem, o prefeito da cidade, Ismael Cândido (PT), estava em reunião e não respondeu ao recado da reportagem para comentar os afogamentos ocorridos na cidade e na região de Peixoto e Itambé, ambos pertencentes ao seu município.
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