Cidade Nova um bairro com medo da violência


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VIOLÊNCIA E MORTE - No dia 18 de março, bandido invadiu a casa do aposentado José Rodrigues Pizani, e o matou para roubar: criminoso ainda não foi identificado e vizinhos convivem diariamente com o medo
VIOLÊNCIA E MORTE - No dia 18 de março, bandido invadiu a casa do aposentado José Rodrigues Pizani, e o matou para roubar: criminoso ainda não foi identificado e vizinhos convivem diariamente com o medo
Fundada no fim do século XIX, a Cidade Nova é um dos mais antigos e tradicionais bairros de Franca. Prefeitura, Câmara, bancos, imóveis de classe média e estabelecimentos comerciais se concentram na região. Próximo do Centro e tido como um dos melhores lugares da cidade para se morar, o bairro vem sofrendo com um problema comum da periferia: a violência. Moradores estão assustados e começaram a mudar seus hábitos. Um abaixo-assinado percorre as casas pedindo mais policiamento. Em apenas quatro dias, recebeu 200 adesões. A Polícia Civil não dispõe de balanço específico sobre as ocorrências registradas na Cidade Nova. Casos mais comuns são os furtos de veículo e no interior de residência. Assaltos à mão armada acontecem em menor escala. O assassinato do aposentado José Rodrigues Pizani, 77, ocorrido no dia 18 de março, na Rua Prudente de Morais, desencadeou uma onda de medo e maximizou a sensação de insegurança. Há mais de 20 anos morando no local e respeitado por todos nas proximidades, Pizani foi espancado e esfaqueado dentro de casa por um ladrão que invadiu o imóvel roubar. O assassino ainda não foi identificado. A comerciante aposentada Bruna (nome fictício) mora na Prudente de Morais há 14 anos. Gosta do lugar e tem boa convivência com os vizinhos. Nos últimos dias, chegou a pensar em se mudar. Em dezembro, teve o veículo Gol furtado diante de casa. Três meses depois, se abalou com a brutal morte do amigo “Zezinho”. “Estou bem assustada mesmo e fico preocupada com qualquer barulho. Todos os vizinhos estão com medo de sair. Aqui está tendo muito roubo. O seu Zezinho era uma pessoa muito boa, vigiava a rua e acabaram matando ele para roubar. Ninguém tem mais sossego”. Ela desistiu de se mudar e resolveu exercer seu papel de cidadã. Na sexta-feira, lançou um abaixo-assinado em que cobra das autoridades o aumento das rondas preventivas para inibir a ação dos criminosos. O documento está circulando pelo bairro e já obteve a adesão de cerca de 200 moradores das ruas Felisbino de Lima, Álvaro Abranches, Afonso Pena, José Marques Garcia e Prudente de Morais. A expectativa é receber pelo menos 500. Uma das que assinaram é a dona-de-casa Sueli Domiciano. Ela afirma que as ocorrências de furto e, sobretudo, o assassinato ainda não esclarecido do aposentado deixam os moradores preocupados. “Estamos todos assustados, apavorados mesmo. Os vizinhos até acabaram se unindo mais: quando um sai, o outro fica vigiando a casa. À noite, a gente não acostuma sair mais e fica em alerta. Em função do medo, um vizinho do senhor que foi assassinado mandou instalar cerca elétrica sobre o seu muro que divide as casas”. O dono de um bar na Prudente de Morais conta que é raro avistar viaturas da PM naquela região no período da noite. Para ele, a falta do patrulhamento preventivo deixa os criminosos livres para agir. “Você pode ficar a noite inteira aqui que não vai ver nada. Não tem policiamento. Só passa o guarda noturno e mais nada. Muitos veículos já foram furtados. O que aconteceu com o seu Zezinho pode acontecer com qualquer um aqui em volta. Enquanto o assassino estiver solto, não vai ter condição de ficarmos sossegados”. O capitão Severo, responsável pelo policiamento na região da Cidade Nova, foi procurado para comentar as reclamações dos moradores do bairro, mas não retornou às ligações.

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