A música como profissão


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Quem vê a apresentação de um músico não imagina o quanto ele se preparou para estar ali, no palco. Essa é uma das poucas profissões em que, para ingressar na faculdade, é necessário ter experiência anterior. E, além de saber tocar bem algum instrumento musical, é preciso que a pessoa se dedique horas a fio em ensaios, tenha talento e carisma para contagiar o público. Engana-se quem tem a impressão de que o músico trabalha somente durante as quatro horas em que se apresenta em shows no circuito boêmio. O dia-a-dia de um profissional é muito intenso, pode chegar a até 12 horas de trabalho. Entre as atividades, ensaios para apresentações, discussão de repertório e afinação de instrumentos. Em Franca não há formação universitária para músico - disponível, por exemplo, em São Carlos, Campinas e São Paulo - mas, apesar disso, há quem faça um curso livre de música e busque um caminho alternativo exercendo a função. É o caso do vocalista da banda Tio Song, Dárcio Rodrigues, 28, que trabalha durante oito horas como professor de Educação Física e, à noite ou aos fins de semana, se apresenta com outros três amigos nos bares da cidade como músico. Cada um possui formações diferentes, mas todos são apaixonados pela música. “Nos realizamos quando estamos no palco”. Desde os 12 anos, ele toca instrumentos musicais - violão, flauta e percussão - seguindo uma tradição familiar. Foi no fim da faculdade de Educação Física que resolveu reunir um grupo de amigos para montar a banda. Os ensaios ocorrem sempre à noite. “Conciliamos esta atividade com a nossa outra profissão. É uma correria”. Por ser um profissional autônomo, o salário de um músico é muito variável. Em média, os bares de Franca pagam R$ 100 por integrante do grupo para eles tocarem até quatro horas. Segundo a Ordem dos Músicos do Brasil, a remuneração inicial desta área é de R$ 750. Para complementar o salário, que é de R$ 1 mil como professor de Educação Física, Dárcio disse que o faturamento da banda é de R$ 2,5 mil por mês. “Retiramos em torno de R$ 500 para as despesas e dividimos o restante entre os quatro”, disse. Quem deseja ser músico precisa ter em mente que a profissão é muito mais do que a ilusão criada de fama. Para chegar ao sucesso (o que nem sempre acontece), o caminho a ser percorrido é longo. Buscar um “lugar ao sol” em um meio cada vez mais competitivo é o que se pode chamar realmente de desafio. Para exercer a profissão de músico, é necessário obter o registro na Ordem dos Músicos do Brasil, entidade que regulariza e fiscaliza a profissão de músico em todo o País. “O caminho realmente não é fácil. Mas o prazer que sentimos quando estamos tocando em um palco vale todo o esforço”, finaliza Dárcio.

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