Novelas e miniséries têm mostrado retratos fiéis dos anos dourados. Quem tem a oportunidade de acompanhar com atenção certamente se encanta com os usos e costumes daquela época áurea, um deles, o ensino ministrado por professores bem remunerados e, portanto, capazes de res-ponder adequadamente ao que o Ministério da Educação deles exigia.
Os anos dourados se entenderam por parte dos anos 50, a construção de Brasília em 1960 e década seqüente, onde se deu o apogeu do ensino no Brasil, especialmente nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Em 1900, 65% da população brasileira não sabia ler e escrever ou fazer cálculos simples e a população analfabeta era de 2/3 dos brasileiros em 1933. Entre 1942 e 1946 as leis orgânicas da Educação Nacional definiam como objetivo do ensino secundário e normal “formar as elites condutoras do País”. Por ensino profissional entendia-se formação adequada dos filhos dos operários, aos desvalidos da sorte e aos menos afortunados, aqueles que necessitavam ingressar precocemente na força de trabalho.
Criou-se na sociedade a idéia de que o ensino secundário ou normal e o superior se destinassem aos detentores do saber, ou do poder econômico; o ensino profissional, para aqueles que executavam as tarefas manuais. O próprio texto legal promovia a separação entre os que “pensam” e os que “fazem”, sendo a educação profissional preconceituo-samente considerada como de segunda ca-tegoria.
Nos anos 50, o pré-primário, chamado Jardim da Infância, era freqüentado pelos fi-lhos de classe média e rica. O primário estava reservado aos que atingiam os 7 anos, mas a evasão ainda era muito grande. Os que concluíam, adquiriam vasta base de conhecimentos, o que lhes garantia condições de trabalho em repartições públicas se não tivessem condições financeiras para seguirem estudos. Para cursar o ginasial, o aluno advindo do primário era obrigado a prestar o Exame de Admissão dado o pouco número de vagas nas escolas públicas, consideradas ilhas de excelência para onde todos desejavam ir. Cursos para o Exame prosperaram, ensinando Matemática, História do Brasil, História geral e Geografia.
No primeiro ano do ginásio o estudante estaria às voltas com Latim, Inglês e Francês, Matemática, Desenho, História do Brasil, Português, Geografia, Artes manuais e Canto Orfeônico. Dez matérias, destacando-se o estudo do Latim e Português e o Canto Orfeônico no qual o aluno, com a prática do solfejo, adquiria noções de música. A cada nova série ou ano novas matérias eram incluídas em substituição de outras, até a conclusão. Havendo condições financeiras ou de tempo, não fosse o estudante obrigado a se dedicar ao trabalho, faria o colegial, em suas vertentes Científico (ciências exatas) ou o Clássico (ciências humanas).
Naquele tempo, o aluno era avaliado mediante notas as que fazia jus, somadas e divididas ao final do ano para o atingimento de média mínima (7,5), sem a qual seria reprovado ou ficaria em segunda época. Não havia a aprovação automática de hoje, que empurra o estudante à frente, sem cultura a-dequada mas gerando economia para o Estado.
SÉRGIO FALEIROS é professor
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.