Uma confusão que terminou com a presença da Polícia Militar foi registrada no início da noite de ontem na porta da farmácia da DRS-08 (Departamento Regional de Saúde), órgão vinculado ao governo do Estado que distribui medicamentos de alto custo. Os pacientes estavam revoltados por terem de ficar quase dez horas na fila para retirar um remédio.
O estopim para acionar a polícia, no entanto, foi quando os atendentes da DRS fecharam as portas da farmácia quando ainda havia mais de dez pessoas do lado de fora. Eram 17 horas, segundo relataram os pacientes, quando a farmácia foi fechada. Mais de 50 pessoas que estavam dentro da unidade ficaram presas à espera do remédio. Do lado de fora, outras dez, com senhas em mãos, se desesperaram porque teriam de ir embora sem o medicamento.
O professor aposentado Fauzi Abdala era um deles. Com 74 anos, Fauzi ficou nove horas na porta da farmácia. Eram 19 horas quando ele ainda esperava pelo remédio que combate o colesterol. “Peguei a senha às 10 horas. Às 17 fecharam as portas e não deixaram o povo entrar. Eu ainda tenho o remédio, mas tem gente passando mal aqui que precisa do remédio para hoje”, disse, indignado.
Quando perceberam o tumulto com a chegada da polícia e da imprensa, funcionários da DRS chamaram os pacientes que aguardavam do lado de fora. Nesse momento, a reportagem pediu para entrar na farmácia e falar com um responsável, mas foi impedida. Da redação, duas ligações foram feitas ao DRS, mas ninguém atendeu. Na assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde, o expediente já havia se encerrado.
A filha de uma funcionária da farmácia disse que a mãe está estressada com o excesso de trabalho. “Todos os dias ela vai embora depois das nove da noite. Ela não tem culpa disso tudo. É muita gente para atender e poucos funcionários”, disse a moça, que pediu anonimato.
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