O desespero ao ser atacado por ladrões diante da família e perder R$ 10 mil levou um vendedor de calçados a tomar uma decisão arriscada domingo à noite. Ele seguiu os criminosos e foi alvo de seis tiros. Mesmo assim, acabou derrubando a moto que usavam na fuga. Com escoriações pelo corpo, os assaltantes saíram correndo e levaram a bolsa com o dinheiro. A vítima escapou ilesa. Nem sempre é assim.
Eram por volta das 20 horas quando o personagem desta história chegava em casa, no Jardim Riviera, vindo de São Paulo. A mulher dele e o filho também estavam na caminhonete. Tão logo abriu a garagem para guardar o carro, dois homens, que certamente acompanhavam sua rotina, entraram e anunciaram o assalto.
O vendedor chegou a pensar que fosse brincadeira de algum amigo. Não era. Os desconhecidos empunhavam um revólver e exigiram que entregasse a bolsa. Sem outra alternativa e percebendo o desespero da mulher e do filho, repassou o dinheiro.
Os dois assaltantes montaram em uma moto e fugiram em alta velocidade. Foi quando a vítima tomou a atitude que poderia ter lhe custado a vida. Entrou na caminhonete e seguiu os assaltantes até a Avenida Doutor Hélio Palermo, esquina com a Dom Pedro I. Durante a perseguição aos assaltantes - percurso de aproximadamente dois quilômetros, a vítima correu riscos. “Eles atiraram seis vezes na direção da caminhonete, mas acertaram só um. E assim mesmo no pára-brisa. Na hora, não senti medo, porque fiquei cego, nervoso. Só queria correr atrás deles e recuperar o meu dinheiro”.
No cruzamento, bateu na traseira e jogou a motocicleta no chão. Assustados e com arranhões, os ladrões agarraram a bolsa com os R$ 10 mil e saíram correndo. Possivelmente, já estavam sem munições no revólver e desapareceram pelos terrenos baldios da região. A moto teria sido roubada na semana passada.
O capitão Alexandre Wellington de Souza, comandante da Força Tática da Polícia Militar, disse que, em hipótese alguma, vítimas de assalto devem reagir. “Reconheço que é difícil, mas a pessoa deve permanecer tranqüila, não fazer gestos bruscos e não discutir com os criminosos. É preciso transmitir tranqüilidade, pois, além do patrimônio, pode incorrer em risco maior, que é perder a vida”.
Para a polícia, o acompanhamento a distância do criminoso, preservando a segurança, é uma medida aceitável para ajudar na prisão. Este ano, duas pessoas já morreram em Franca vítimas de latrocínio, o roubo seguido de morte. Há um ano, um funileiro foi assassinado por agredir um viciado que fumava maconha diante de sua casa na Vila Imperador.
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