“Aqui não sobe nem tatu de chuteira”, gritou um morador da Rua Romeu Algarte, no Residencial Ana Dorothéa, enquanto o carro da reportagem patinava ao tentar passar da Rua José Pinto para a Urias Alves Taveira numa subida pouco íngreme. A via parecia estar ensaboada de tão escorregadia e, por pouco, o veículo não atola, somando-se a outros cinco que não tiveram a mesma sorte no dia. No imenso “pântano” que se tornou o bairro todo ontem após as chuvas do fim de semana, nem carros, tampouco caminhonetes, motos e bicicletas passavam incógnitos pelo atoleiro. “Em dias assim, nos sentimos ilhados”, diz a moradora local Fabíola Cristina Campos.
O isolamento do qual a dona de casa fala se refere aos serviços como ônibus, van escolar, táxi e ambulância. Em dias chuvosos como sábado e domingo, tais serviços deixam de atender ao Ana Dorothéa e a outros bairros que vivem há anos os mesmos problemas, como o Jardim Esmeralda, o Monte Carlo e o prolongamento do Recanto Elimar.
Com as ruas encharcadas e escorregadias, muitos locais tiveram carros atolados na lama acumulada. Em alguns pontos, as enxurradas abriram valetas tornando impossível a passagem de carros. É o caso do Jardim Esmeralda. “Muitos moradores deixam seus carros na saída dos bairros pois não têm como descer com seus veículos até suas casas por causa dos buracos”, disse Jonas de Carvalho, presidente da Associação dos Moradores local.
“Para a gente pegar ônibus aqui, tem que andar três quarteirões no barro, com um saquinho no pé para não se sujar ou com um rolo de papel higiênico na bolsa para limpar os calçados”, disse uma moradora do Esmeralda, que preferiu não se identificar.
A reportagem procurou um representante da Empresa São José para falar sobre os problemas relatados pelos moradores do Esmeralda e do Ana Dorothéa sobre ônibus, mas ninguém pôde falar oficialmente.
Apenas o chefe da manutenção José Eustáquio disse, extraoficialmente, que tais problemas ocorrem porque as ruas ficam intransitáveis.
Segundo Jonas, no caso do Esmeralda, seu asfaltamento é uma questão de boa vontade. A parte criada pela CDHU recebeu o asfaltamento gratuito do governo do Estado, mas para que as obras sejam iniciadas no restante do bairro é preciso que pelo menos 70% dos moradores da parte residencial privada, que possui 194 lotes, assinem a adesão ao plano de asfaltamento. “O valor por lote está próximo dos R$ 1,5 mil, valor que pode ser parcelado em até 36 meses”, disse o líder comunitário.
Assim como o Jardim Esmeralda, o Ana Dorothéa vive dilema parecido. Espera que o número de moradores que concorde com o programa de asfaltamento saia dos atuais 42% para a meta de, no mínimo, 70%. “Estou disposta a pagar pelo asfaltamento. É uma questão de lógica: com asfalto na porta, minha casa vai se valorizar”, disse Fabíola Cristina.
Nos outros bairros citados (Monte Carlo e Prolongamento do Recanto Elimar) já ocorreram tentativas de asfaltamento, mas as equipes da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca) não conseguiram reunir número de assinaturas suficientes para o plano de asfaltamento.
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QUANTO CHOVEU
Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), entre às 9 horas de sábado e o mesmo horário do domingo, choveu 42 milímetros, metade do que está previsto para todo o mês de abril, que são 84 mm. “Mesmo forte, a chuva foi normal para esta época do ano”, disse a meteorologista Neide Oliveira.
De acordo com as especificações técnicas do Inmet, a chuva foi ocasionada por uma frente fria que veio do Sul do País na sexta-feira, dia 31 de março. Apesar chuvas terem sido fortes em Franca, nenhum incidente grave relacionado com as precipitações ou alagamentos foram registrados pela Defesa Civil ou pelo Corpo de Bombeiros de Franca.
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