A família de Lucélia Félix da Silva, composta por ela e mais cinco pessoas (o marido e dois casais de filhos), vivia até outubro do ano passado com R$ 900 mensais numa casa do Jardim Santa Bárbara, Zona Sul de Franca. Depois de um curso de panificação, ela e o marido passaram a fazer e vender pães e salgados no bairro e mudaram de vida. A renda da casa ganhou mais R$ 800, que se somaram aos salários dos dois filhos empregados. Resultado: com os novos ganhos, a família emergiu para a classe C, a porta de entrada para a classe média (soma das famílias das classes B e C).
Em toda a cidade, quase 2 mil novas famílias também estão com rendimentos superiores a R$ 1050 por mês. Ao todo, são mais de 42 mil lares, quase 44% da cidade nesta faixa de renda.
Os dados fazem parte do estudo “Brasil em Foco 2007”, da Target Marketing, uma das mais conceituadas empresas de pesquisa de mercado. No Brasil, mais de R$ 20 milhões de brasileiros mudaram de classe social no dois últimos anos.
Dispondo de mais dinheiro no bolso todos os meses, Lucélia e Antônio resolveram realizar os sonhos de consumo. A sala ganhou uma TV 29 polegadas de tela plana e o quarto, uma cama e um guarda-roupa novos. Tudo financiado. “Dá uma tranqüilidade maior, inclusive, depois de pagar essas contas, penso em trocar o sofá e a geladeira”, disse Antônio, feliz com a possibilidade de fazer novas compras.
O crescimento da classe mais numerosa da sociedade é justificado pela maior oferta de crédito oferecido pelo governo e instituições financeiras, melhora nas vagas de trabalho (há mais emprego para a população), a estabilidade da moeda e os programas sociais dos governos federal, estadual e municipal, além das aposentadorias pagas pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Em Franca, estima-se que 9357 famílias recebam algum tipo de benefício que varia de R$ 18, no mínimo, a R$ 120.
Para o economista Hélio Braga Filho, coordenador do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef, toda essa mudança traz um impacto positivo para a economia local e provoca um circulo virtuoso. “Há uma maior oferta de crédito, que conseqüentemente ajuda na recuperação do trabalho. Com isso, as famílias têm melhores condições de vida e consomem mais”. Em média, cada família da classe C consome por ano R$ 18,3 mil, o equivalente a R$ 1.527 mensais.
Sebastião Ananias, secretário de Finanças de Franca, disse que o crescimento da classe média, o que incluiu a classe C, reflete a boa fase da cidade, melhora a circulação de riquezas e a geração de impostos. “É mérito dela e do seu povo. Franca tem um perfil de crescimento que está se desvinculando da área calçadista. Estamos ficando fortes em prestação de serviços e esse estudo é um espelho”.
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