Recebi manifestações variadas sobre a motivação do artigo anterior “Mas com gado é que é diferente” (leia em http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php?id=27875) que mostrou a penúria de quem passa por atendimento médico, quer em ambulatórios hospitalares ou em consultórios, e o fato paradoxal da Santa Casa reclamar da falta de verba pública, mas ao mesmo tempo bancar propaganda de agradecimento a deputado.
Dentre as mensagens, uma da Coordenadoria de Relações com a Comunidade da Santa Casa, através de Lila Crespo Pereira. Ela posicionou “...que a Santa Casa nunca patrocinou outdoor ou qualquer outra propaganda efetuada por políticos, nem tampouco tem gerência sobre seus conteúdos ou posicionamentos. As propagandas foram arcadas por eles mesmos e, uma vez em 2007, uma das propagandas em outdoor foi patrocinada por empresário francano, de seu próprio bolso...”.
Das explicações passadas, permaneço ainda com dúvidas sobre a instituição de saúde emprestar ou permitir o uso de seu nome/marca para fins políticos. Deputado, seja estadual ou federal, tem função específica. A representatividade de qualquer parlamentar deve se ater à elaboração de legislação com vistas ao bem da comunidade.
Ainda, dentre os que se manifestaram, houve quem se aproveitasse do assunto para relatar sobre uma consulta particular, inclusive com emissão de recibo. Enquanto o médico examinava o filho do leitor, o telefone tocou. O facultativo deixou o garoto deitado na cama de exames, sem roupas, por 40 minutos. Nesse ínterim, tranqüilamente negociou imóveis à distância.
Sem nenhuma sombra de dúvidas há médicos exemplares em todos os sentidos. Atendem com atenção, demonstram empatia e são sensíveis aos males do paciente. Mas, como em toda e qualquer profissão, também existem aqueles que se primam pela ineficiência. Esses deveriam olhar o outro lado. Colocar-se na posição do doente, que enfrenta momento de fragilidade.
Meu intuito não é e nunca será atacar ninguém particularmente. Busco apenas mostrar ângulos falhos da vida em sociedade. E espero que isso possa levar os cidadãos, a começar por mim, a construir reflexão crítica sobre os acontecimentos e até a provocarem o debate sadio e harmônico, aquele que faz crescer. Quem sabe cada um nós, em determinado momento, perceba suas falhas individuais e se modifique visando a melhoria da vida em comum.
ANTÔNIO ARAÚJO é professor. E-mail: tonin.palavras@uol.com.br
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