O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) disse ontem, em seu gabinete, que a vereadora Graciela de Lourdes David Ambrósio não deveria ter se filiado ao PP, partido comandado por aliados seus, mas ao PT, onde estão seus maiores inimigos políticos. A irritação do tucano se deve a uma emenda apresentada pela parlamentar a um projeto de lei do Executivo que impediu o aumento da UFMF (Unidade Fiscal do Município de Franca) e, por tabela, o encarecimento de tributos como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ISS (Imposto Sobre Serviço), que renderia mais de R$ 300 mil para a Prefeitura em 2009.
Rocha falou sobre a atitude da vereadora durante entrevista coletiva, na manhã de ontem, na qual foi anunciado o reajuste de 4,6% aos servidores públicos municipais. Graças à referida emenda, o prefeito terá de gastar entre R$ 600 mil e R$ 900 mil a mais com a folha de pagamento sem ter aumento na receita, que viria, em parte, com a maior arrecadação nos tributos. “Lamento que a doutora Graciela esteja se juntando aos outros dois (Gilson Pelizaro e Silas Cuba) para querer aparecer. Não sei porque ela se filiou a um partido aliado do prefeito. Deveria ter se filiado ao PT”, afirmou.
O tucano não se esqueceu de criticar também os vereadores de situação, principalmente os quatro que são de seu partido, o PSDB, Marcelo Valim, Luiz Carlos Fernandes, Rui Engrácia e Jepy Pereira. “Lamento por eles também. Acho que não se faz política usando o interesse dos servidores (...). Vai chegando época de eleição, vai dando desespero em certos políticos por causa de reeleição”.
Para completar a metralhadora de alfinetadas, Rocha desaprovou a postura do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais. “Acho nojento usar o trabalhador como massa de manobra (...). Muitos aí usam o trabalhador para ganhar dois salários”, disse, referindo-se ao presidente do Sindicato José Nhozinho Sales, o “Paraná”, que até o ano passado recebia da Prefeitura e do sindicato.
O OUTRO LADO
As declarações de Sidnei Rocha não foram bem assimiladas pelas partes atingidas. Graciela se irritou com as palavras do prefeito e rebateu, dizendo que não tem a obrigação de fazer suas vontades, mas sim a dos eleitores. “Não estou aliada ao PT, mas ao povo. Ele queria aumentar os tributos do povo. Eu fui contra isso. E não só eu como toda a base dele, do partido dele. Então, por que ele não manda a base dele para o PT?”, disse, indignada, a vereadora.
Valim também não gostou do que Rocha falou sobre a base governista. Para ele, o vereador tem de analisar o bem-estar geral no momento de votar cada projeto. “Não temos que pensar no prefeito, mas no povo, que já não aguenta mais tantos impostos. Eu já tinha falado para ele que votaria contra. Se o Sidnei é um bom governante não pode esquecer que atrás dele tem a Câmara Municipal”. Paraná não foi encontrado, via telefone celular, para comentar as referências do tucano a ele.
AUMENTO
O prefeito disse que poderia vetar o projeto de lei que aprovou o aumento aos servidores e impediu o reajuste da UFMF, mas que não o faria em respeito aos trabalhadores. Para ele, há o risco do TCE (Tribunal de Contas de Estado) contestar a medida, pois ele criou despesas sem perspectivas de receita. “A Câmara, liderada por Silas Cuba, Gilson Pelizaro e Graciela (...), expôs o prefeito a possíveis problemas futuros com a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). Mas decidi não recuar diante desta jogadinha política dos vereadores”, disse.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.