A geração de empregos no setor comercial de Franca tem crescido a passos largos. Desde 2000, o ritmo de criação de novas vagas supera a de outros segmentos e, se continuar nesse ritmo, nos próximos 11 anos, o número de trabalhadores do setor ultrapassará o da indústria, atualmente ainda o principal empregador da cidade.
Pela estimativa, em 2019 serão mais de 33 mil trabalhadores nas lojas, supermercados e similares de Franca contra, em média, 31,5 mil nas indústrias. A projeção é feita com base nos dados do Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) pelo Ipes (Instituto de Pesquisas Sociais e Econômicas) do Uni-Facef. Atualmente, o comércio emprega 15.110 funcionários.
Para que o setor comercial consiga engolir a indústria, a acumulação de capital na cidade precisa continuar no mesmo patamar. O economista Hélio Braga Filho explica que, para isso, a geração de emprego não poderá se estagnar e, no período de 11 anos, precisarão ser criados 4.624 novos estabelecimentos comerciais. “A abertura de empregos por estabelecimento na indústria está decrescente desde 91, enquanto que, no setor comercial, vem crescendo num ritmo muito bom e cons-tante . Além disso, há uma redução no número de novas empresas industriais”.
Braga diz que, para se concretizar, a “ultrapassagem” do comércio necessita de um cenário favorável, composto, principalmente, pela estabilização da indústria (gerando menos vagas ou mesmo fechando postos) e por investimentos no setor. “Se não houver variação na indústria e os investimentos na área comercial continuarem, os números mostram que, a partir de 2019, o total de funcionários do setor comercial estará perto dos 33 mil empregados, superando a indústria”. Pelos cálculos do Ipes, a média de criação de novos estabelecimentos deverá obedecer a ordem de 356 por ano ou 2,28 por mês.
João Cheade, presidente da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), disse que a tendência é que esse cenário se mantenha. “Na fase de acomodação da indústria, foram os setores comercial e da prestação de serviços que seguraram o emprego na cidade. Agora estamos nos firmando e crescendo”.
Cheade disse que vê o futuro de Franca com boas perspectivas, já que uma média de 80 empresas são abertas todos os meses na Junta Comercial da cidade. “É um número expressivo. São abertas 180 e ocorre o fechamento de 80 a 100. Isso mostra que Franca não está parada”.
Segundo o economista, o sumiço dos empregos na indústria é visto com cautela e pode ser nocivo à cidade. O ideal é que o setor cresça ao lado da indústria. “Os novos estabelecimentos comerciais podem ficar concentrados em poucos ramos e isso barra o dinamismo da economia local. É preciso cuidado para não tornar a economia dependente apenas de um setor”.
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