Soja some e preço de óleo dispara


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Marcos Daines frita pastéis na Pastelaria Alvorada: local consome 10 litros de óleo por dia e pode repassar aumento do produto para consumidores
Marcos Daines frita pastéis na Pastelaria Alvorada: local consome 10 litros de óleo por dia e pode repassar aumento do produto para consumidores
O óleo de cozinha derivado do grão da soja tem sofrido aumentos sucessivos nos últimos três meses e há dez dias ultrapassou a casa dos R$ 3. O preço médio do litro em dez mercados consultados pela reportagem é de R$ 3,25. A mesma quantidade era vendida a R$ 2,67 em média. O aumento, portanto, foi de 21,8%. A dona de casa Eduarda Ferreira, 28, ficou um tempo sem comprar óleo de soja porque ganhava uma cesta básica, mas quando chegou ao mercado na semana passada se assustou. “Uma garrafa estava custando quase R$ 4. Achei um absurdo. Na época que comprava era metade disso”, disse. Para não onerar o orçamento, Eduarda passou a evitar frituras em casa e quando faz, guarda o óleo para reutilizar. “Meu filho adora batata frita, mas penso duas vezes antes de fazer fritura. Antes, eu usava o óleo apenas uma vez e jogava fora, agora reutilizo, para economizar um pouco”. Além do preço alto, Eduarda, moradora no Aeroporto III, teve dificuldades para encontrar o produto em seu bairro. “Tive de ir em três mercados para achar e no que encontrei tinha apenas três garrafas”. Por causa do preço elevado, alguns estabelecimentos continuam com os estoques comprometidos. ESPERANÇA DE QUEDA Na última quarta-feira, Carlos Almeida, proprietário de um mercado, Almeida, no Jardim Palmeiras, tinha apenas cinco caixas no estoque. Em média, ele vende uma caixa por dia e não sabe se vai repor o produto. Se isso não acontecer até o começo da próxima semana, o óleo de soja estará em falta. “Pode faltar sim, porque vende bastante”. No Savegnago, o litro custa R$ 2,89, mas o preço é promocional. Até domingo. Depois, deve voltar para os R$ 2,99. Ontem, na rede Gimenes, o mais barato custava R$ 3,15. Em outros mercados, poucas marcas estavam disponíveis. “Mesmo mais caro, as pessoas compram porque óleo é básico, como arroz e feijão. Elas só levam menos”, disse Ricardo Pedigoni, do supermercado Pedigoni da Avenida Brasil. Para o desânimo dos consumidores, a alta do óleo pode desencadear outros reajustes. Na Pastelaria Alvorada, no Centro, o cobiçado pastel poderá ficar R$ 0,30 mais caro. “Sentimos muito o aumento do óleo nos últimos dois meses. Ainda não alteramos o preço do pastel, mas isso está se tornando inevitável. Se continuar subindo, passaremos de R$ 1,20 para R$ 1,50”, disse o sócio-proprietário André Daines. POR QUÊ? Especialistas dizem que o aumento do óleo pode ser explicado, basicamente, pela conhecida lei da oferta e da procura, pois com a escassez da soja, o que há no mercado para oferecer fica mais caro. “Com o advento do biocombustível, os Estados Unidos, maior produtor mundial de soja, substituíram plantações de soja por milho. Agora está faltando soja”, disse Fernando Nonino, supervisor de comercialização de grãos da Carol (Cooperativa dos Agricultores da Região de Orlândia). O aumento das exportações para a China também comprometeu os estoques. No Estado de São Paulo, a saca da soja era vendida a R$ 30 e hoje custa R$ 37, mas já chegou a R$ 42. Há perspectivas de redução de preço. “Já sinalizaram que vai reduzir. Devemos receber nova tabela”, disse José Maurício, representante da Clarion, que abastece 20 mercados de Franca. É esperar para ver.

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