Qual a diferença entre aquele que conduz uma máquina possante (veículo de carga) e o que conduz a máquina estatal? Pelo que sabemos, mesmo habilitados, ambos estão sujeitos a falhas de desempenho.
O acidente que ceifou vidas na Cândido Portinari, próximo à “curva da morte”, é pesaroso para todos nós, mas vem sendo sistematicamente anunciado por fatores elementares e concretos (não por videntes, médiuns ou adivinhos), de altíssima periculosidade e apoiados pela história do local.
As especulações são muitas. O fato é que o agente causador in loco (aquele que estava no local), ou seja, o caminhoneiro, foi preso em flagrante e indiciado por “crime doloso”, quando existe a intenção de matar.
Voltemos à pergunta inicial ... Penso que não há diferenças entre o condutor de veículo e condutor de máquina estatal. Haveríamos de injustiçar o condutor do caminhão se eximíssemos a responsabilidade dos agentes políticos, jogando toda a consequência do acontecimento sobre os ombros do caminhoneiro.
Antes de mais nada, deixo claro que o objetivo aqui não é de defesa do caminhoneiro, e sim, em dar relevância à imensa parcela de responsabilidade que o Estado comunga ao ser relapso em não sanar o problema daquele trecho, comprovadamente complicado, 26 vítimas em 6 anos. Em 2002, por exemplo, ano daquele fatídico acidente com um ônibus, 20 pessoas mortas de uma só vez, o slogan do governo era – triste ironia – “cuidando de gente”.
Não cuidou. E, o pior. A mesma turma continua não cuidando porque é omissa. Acho que o MP deveria cuidar em levantar os nomes de todos e apresentá-los nas barras da justiça, junto ao motorista, pelo crime doloso. Mesmo sabendo do “perigo de morte” que aquele trecho oferece, um e os outros assumem o “risco de matar”.
Será que em “seis anos” não encontraram uma concessionária interessada em explorar o serviço que traria melhorias inteligentes para aquele trecho? Ou não puderam realizar uma simples licitação para obras que resolvessem o problema? Quanta inépcia! Chega a provocar asco! Faz pensar que os governantes aprenderam à risca, o “método”: “faça o mal de uma só vez e o bem aos poucos”.
Quantas vidas ainda a sociedade regional deverá perder por conta das indispensáveis correções a que a estrada que corta a serra da Rifaina precisa passar e não passa? Será que os adversários de Quércia continuarão tratando a região do ex-governador do Estado e sua população como algo a ser combatido, e que vidas humanas “são um preço a pagar na guerra por cargos públicos”?.
RICARDO VERÍSSIMO JÚNIOR é funcionário público e integrante do Conselho de Leitores do Comércio da Franca. Fez parte do Conselho Municipal de Saúde
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