Garoto luta para conseguir remédio de R$ 5 mil contra câncer


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CASO GRAVE - Arislene Cunha de Almeida mostra os exames feitos pelo filho Mayson de Almeida (abaixo), que, aos 16 anos, tem câncer no fígado, rins e pulmão. Jovem precisa de medicamento que custa R$ 5.200, mas ainda não consegui
CASO GRAVE - Arislene Cunha de Almeida mostra os exames feitos pelo filho Mayson de Almeida (abaixo), que, aos 16 anos, tem câncer no fígado, rins e pulmão. Jovem precisa de medicamento que custa R$ 5.200, mas ainda não consegui
Em março de 2007, a dona de casa Arislene Cunha de Almeida, moradora no Jardim Aeroporto III, foi acompanhar seu filho Mayson Ferreira Almeida, 16, a uma consulta na UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro. O garoto reclamava de dores no abdômen e peito. Encaminhado para fazer exame raio-x, descobriu uma mancha no pulmão. Após uma série de exames, a triste confirmação: o rapaz estava com câncer. Para complicar, a doença que começou no fígado já havia atingido rins e pulmão. Hoje, um ano depois do grave diagnóstico, Mayson precisa tomar um medicamento - que custa R$ 5.200 a caixa - para viver sem dores. Todos os meses, ele deveria consumir duas caixas. Sua mãe não tem condições de comprar. A Justiça determinou que o Estado resolvesse o problema, mas a ordem ainda não foi cumprida. Em dezembro de 2007, após nove meses de sessões de quimioterapia no Hospital do Câncer de Franca, Mayson, que estava com resistência imunológica baixa, sofreu hemorragia interna e o médico pediatra José Sant’Anna decidiu suspender o tratamento quimioterápico. Para controlar a doença e aliviar as dores do paciente, o oncologista receitou o medicamento Nexavar 400 mg. Mayson tem de tomar dois comprimidos por dia. A caixa do remédio com 30 unidades custa R$ 5.200. Ele consumirá duas caixas por mês, são R$ 10.400 de gastos com um único medicamento. Além de diminuir as dores provocadas pela doença, o medicamento também combate o câncer. Com o tratamento feito até o ano passado, a doença de Mayson reduziu em quase 50% e, com o novo medicamento, ele teria garantida maior qualidade de vida pelos próximos anos. “Ele provavelmente não poderá voltar a fazer quimiote-rapia. A doença é incurável, mas o Nexavar permite que ele tenha uma vida melhor”, disse o médico Reynaldo Sant’Anna. A idéia é que o rapaz tome o medicamento por até três meses e, depois, faça novos exames para avaliar a resposta ao tratamento. Sem recursos financeiros, Arislene, mãe do adolescente, procurou a Secretaria de Saúde de Franca para tentar conseguir o remédio. Não adiantou. Ela acabou encaminhada para a DRS-8 (Diretoria Regional de Saúde), órgão do governo estadual, mas obteve outra resposta negativa. Orientada por vizinhos, recorreu à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que nomeou o advogado Reginaldo Carvalho da Silva para cuidar do caso. O advogado reuniu documentação e entrou com ação civil contra o governo estadual para que providenciasse o medicamento para Mayson. No dia 28 de março, o Estado foi citado e a partir daí teria 72 horas para cumprir a determinação judicial. Mas o prazo já expirou há três dias e o Nexavar ainda não chegou às mãos do paciente. O Estado pagará R$ 500 de multa por dia pelo não fornecimento. Enquanto isso, Mayson continua com dores. FASE DIFÍCIL O rapaz interrompeu os estudos na 6ª série, assim que soube do câncer. Ele passa os dias em casa, sendo a maior parte do tempo no videogame. Alguns amigos o visitam, mas raramente, pois trabalham. A mãe dele está desesperada. “Eu não tenho condições de comprar os remédios, sou pobre e pago aluguel”, desabafou Arislene. A direção da DRS-8 foi procurada pela reportagem, mas alegou não poder falar sobre o assunto. Procurada, num primeiro momento, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde alegou que a mãe de Mayson não havia levado o relatório médico e a receita para que o medicamento fosse comprado. Mas, após novo contato com a reportagem, o assessor informou que os documentos entregues por Arislene foram localizados e a compra seria viabilizada. O prazo de entrega para Mayson, porém, não foi informado. À mãe, resta lutar contra a angústia de ver o filho com dores e se “agarrar” às últimas esperanças de conseguir o remédio. “Não tenho a quem apelar. Meu filho tem apenas 16 anos e está sofrendo muito”, disse. Colaborou Nelise Luques

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