De 2001, quando, aos 20 anos, levou o Prêmio Visa, láurea máxima da música instrumental no Brasil, até 2008, a vida de Diego Figueiredo deu uma guinada radical. Da vida de estudante aplicado em instrumentos de cordas e músico que participava da noite francana se apresentando ao lado de bandas de rock, a evolução pessoal e a sofisticação musical impressionam. Instrumentista consagrado internacionalmente, amado em Portugal, envolvido em vários projetos ao mesmo tempo, Diego acaba de chegar de uma turnê de um mês e quatorze apresentações por oito países da Europa e já tem na manga uma série de shows ao lado dos francanos Saulo Couto e Giovana Mantovani, dupla de canto lírico que vem ganhando projeção nacional com apresentações semanais no Programa Raul Gil, da Band. “A ascensão de Saulo e Giovana na TV e o fato de sermos todos de Franca são fatores que nos levaram a pensar na possibilidade de uma apresentação conjunta. Por isso nos reunimos para montar um espetáculo mesclando a música instrumental com a música lírica e clássica. A idéia é fazer um show comercial com qualidade, mas algo que deixe as pessoas à vontade em ver”, explica ele, tecendo elogios ao talento do jovem tenor que já foi elogiado por José Carreras e à soprano de musicalidade ímpar.
“Escolhemos um repertório bem diversificado, com chorinhos, clássicos, populares. Marcílio Garcetti nos acompanhará na percussão e Alexandre Pio no teclado. O instrumental no timbre lírico ficou tão interessante que eu próprio ando muito curioso para saber qual será a reação do público”, comenta ele. A estréia desse trio deverá ser intimista, para um público pequeno hoje, às 21 horas, na Água Doce Cachaçaria, em Franca. O instrumentista diz ainda que o show Diego Figueiredo, Saulo e Giovana já está agendado em várias outras cidades do Brasil. “Já temos pedidos, inclusive, para ir para Portugal, por meio de contatos feitos pelo meu empresário em Lisboa, que cuida dos meus concertos na Europa”, acrescenta.
A CARREIRA
Com a agenda cada vez mais movimentada, Diego Figueiredo deu um tempo na parceria de quatro anos na estrada com Belchior, passou boa parte do ano passado no exterior, teve o lançamento do CD El Colibri em Londres, com direito a matérias nas revistas Time Out e Guitar Player, produziu um DVD e segue imerso nos projetos que já estão em andamento, aberto aos que estão por vir. “Pensei que 2007 tinha sido o meu ano mais internacional, mas 2008 já começou movimentado. A temporada de shows fora do Brasil foi inaugurada, neste ano, no Canadá. Fui convidado a fazer quatro shows num congresso chamado Iaje (International Association for Jazz Education) em janeiro, do qual participaram grandes nomes como Chick Corea, Paquito de Rivera. Os organizadores do evento já me conheciam pelo Festival de Montreux e me chamaram para tocar música brasileira. Uma semana depois embarquei para a Europa. Fui direto para a Dinamarca, fui para a Alemanha, Áustria, Viena, Suécia, Noruega, Espanha e Portugal. Fiz apresentações-solo e toquei também com gente como Rodolfo Stroeter, grande baixista e produtor musical; toquei com Silvana Malta e dois dinamarqueses muito conhecidos na Europa”.
E ele continua: “Para este ano deve sair uma parceira de shows com Toquinho, para a qual buscarei patrocínio de empresas francanas.
Em julho retomo o circuito europeu de shows. Ainda no segundo semestre sai o meu songbook com 60 composições, pela Irmãos Vitale Editora.” Satisfeito com os rumos que sua carreira vem tomando, Diego vibra com a acolhida dos europeus ao estilo de música que escolheu defender, reconhece, sem arrogância nem falsa modéstia o próprio talento, o nível de técnica e conhecimento musical que já alcançou e sabe valorizá-lo, inclusive do ponto de vista dos cachês. “Vendo bem CDs e DVDs em Portugal, onde o público tem se mostrado bastante fiel”, considera.
Durante a entrevista, o momento em que os olhos de Diego Figueiredo brilharam com mais intensidade foi aquele em que mencionou a admiração pelo trabalho de artistas que toma por referência, como Villa-Lobos, Baden Powell, Tom Jobim. “O melhor de tudo é que já toquei ao lado ou estive pessoalmente com caras que foram meus ídolos: Egberto Gismonti, George Benson, Pat Metheny entre vários outros”, entusiasma-se.
Para quem não sabe, Pat Metheny, o jazzista que faz a cabeça dos amantes do instrumental, ouviu o trabalho de Figueiredo e escreveu a ele um bilhete se dizendo encantado com seu talento, propondo a possibilidade de um encontro musical.
Hermeto Paschoal uma vez disse que Diego Figueiredo não é de Franca, é do mundo. Sim, um francano que ganhou o mundo, mas que mantendo contato com suas raízes, à casa sempre torna.
GIOVANA E SAULO
Antes de começarem a turnê pela Europa com Diego Figueiredo, os cantores líricos Giovana e Saulo estão a todo vapor produzindo ao mesmo tempo três CDs: dois solos e um da dupla.
Os francanos ficaram conhecidos nacionalmente depois que participaram do Programa Raul Gil, na Band, entre novembro do ano passado a março deste ano. Foram 16 participações no quadro “Quem Sabe Canta, Quem Não Sabe Dança” e dois especiais de Natal e homenagem ao cantor Alexandre Pires.
Agora, Giovana e Saulo aproveitam a boa fase para lançarem os CDs, que têm Diego Figueiredo como produtor. “A TV ocupa muito tempo.
Chegou a hora de dedicarmos à carreira”, disse Giovana, não descartando a possibilidade de voltar à competição no programa de Raul Gil.
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