Os carteiros de Franca, que juntos somam mais de 110 funcionários, resolveram cruzar os braços ontem. A paralisação começou logo nas primeiras horas de trabalho e se estendeu durante todo o dia. Os servidores reivindicam o cumprimento de um termo de acordo que estabelece o pagamento de um adicional de periculosidade equivalente a 30% do salário por mês, além de outros benefícios. A greve acontece em âmbito nacional e por prazo indeterminado.
De uniforme, faixas e com uma cópia do termo assinado em novembro passado, os carteiros percorreram o Centro da cidade aos gritos de “assinou e não pagou...”. Luiz Carlos da Silva, diretor regional do Sindicato dos Funcionários dos Correios, disse que o adicional de risco foi pago normalmente nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, com o nome de abono emergencial, e cancelado em março, quando o pagamento passaria a ser definitivo e identificado como adicional de risco. “Isso é um desrespeito. Prometem e não cumprem um termo que tem o aval do presidente da República”.
Para os carteiros que ganham o salário mínimo da categoria (R$ 603), o adicional de risco, pago em razão dos funcionários trabalharem em via pública expostos a sol, acidentes e cachorros, equivale a R$ 181. “Muitas pessoas fizeram dívidas contando com esse dinheiro e agora a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) corta e não avisa ninguém” esbravejou revoltado Silva.
O corte do benefício foi percebido quando os funcionários começaram a receber o salário de março, pago pelos Correios no último dial útil bancário do mês.
Além do adicional de risco, os grevistas pedem aumento no percentual da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), mais contratações e a implementação de um plano de carreira.
Caso a greve continue pelos próximos dias, a entrega de correspondência domiciliares pode ser prejudicada, já que, em média, cem mil cartas são entregues por dia na cidade. Serviços de entrega em prazo pré-estipulado, como Sedex 10 e Sedex Hoje, também não funcionam durante as paralisações. Em contrapartida, as agências dos Correios operam normalmente.
Procurada, a assessoria dos Correios disse apenas que procurará um entendimento com os sindicatos de todo o País para que os serviços de entrega de correspondências não sejam prejudicados.
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