O adolescente de 16 anos que afirma ter matado o amigo de 15 anos, saiu da delegacia direto para a cadeia, por ordem da Justiça.
Depois de apontar para a Polícia o local em que havia enterrado o corpo, prestou um longo depoimento. Voltou a alegar que matou por ter levado um tapa na cara. Entre os detalhes, contou ter cavado a sepultura clandestina na véspera do crime. A versão não convenceu a Polícia. A suspeita é que Gustavo Henrique Apolinário, 15, tenha sido assassinado por contrariar normas de criminosos que agem na zona leste de Franca.
Vítima e autor moravam no Jardim São Luiz. O assassino confesso alegou que conhecia Gustavo há cerca de dois anos. O suposto desentendimento entre ambos teria começado há um mês.
Repreendido por estar fumando uma pedra de crack na rua do amigo, Gustavo reagiu com violência e deu um tapa no rosto dele. “Fiquei quieto, mas no dia seguinte, decidi matar ele”. Ainda de acordo com o depoimento, o autor pegou uma enxada na casa de uma parente, foi até a mata ao lado do campo do Jardim Palestina, bairro vizinho ao que moravam, e cavou o buraco. Deixou um cobertor e um rolo de fita adesiva lá.
No outro dia, convidou Gustavo para fumar crack no local. Levava na cintura uma faca de cozinha que pegou em sua casa. “O Gustavo se agachou para usar a droga. Peguei um pedaço de pau ao lado e dei quatro golpes na parte de trás da cabeça, nas costas e nas pernas. Ele caiu desacordado com o rosto no chão. Depois, dei uma facada no pescoço e três nas costas”.
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Na seqüência, teria enrolado o corpo com o cobertor e passado a fita crepe. Arrastou a vítima até o buraco e cobriu com terra, usando as próprias mãos. Colocou galhos de árvore por cima. Teria demorado quatro horas para terminar o serviço. Como a roupa estava suja de sangue, tomou banho em um riacho que passa nos fundos. Se trocou e colocou fogo nas vestes que usava.
Para a Polícia Civil, a história é fantasiosa. “Ele mentiu muito. O local é de difícil acesso e, pela forma em que o corpo foi encontrado, tudo nos leva a crer que outras pessoas tiveram participação no crime”, disse o investigador Wellington Amato.
A vítima teria comprado drogas com notas falsas e estaria cometendo pequenos furtos no bairro para sustentar o vício, fatos que podem ter determinado sua morte. “Denúncias que recebemos na delegacia dão conta de que a vítima teria sido ordenada a se mudar do bairro ou parar de cometer os crimes. Como continuou, a denunciante que nos ligou, fala que resolveram matá-lo”.
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