Cortadores de cana dominam os empregos rurais na região


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Os trabalhadores que atuam nas plantações de cana-de-açúcar representam hoje a função ou cargo isolado com o maior número de homens assalariados na região, que engloba 23 cidades. De acordo com dados do Diagnóstico para o Programa Estadual de Qualificação Profissional, o número de trabalhadores nessa ocupação é de 5.138 pessoas. Até 2006, a ocupação líder era a de trabalhador agropecuário em geral, com 5.329 vagas. O estudo traz um ranking com cada uma das 20 funções mais representativas catalogadas. Sozinhos, os trabalhadores da cana lideram, mas, se considerada a categoria, os empregados na indústria de calçados passam à frente. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Patrocínio Paulista, Eli Marques, o resultado era esperado. “Como a cana-de-açúcar aqui em Patrocínio é uma cultura nova, várias fazendas onde a atividade era de café e leite passaram a cultivar cana. Acho que isso colaborou para que a função fosse a mais representativa”. Eli, no entanto, acredita que este crescimento é passageiro, já que a mão-de-obra deve dar espaço às máquinas. “Eu acho que, com a mecanização, a tendência é diminuir. Tem o projeto que, até 2017, a cana vai estar mecanizada. A tendência é diminuir”. O economista e diretor do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais), Hélio Braga Filho, concorda com Eli. “No caso da nossa região, já era esperado. Há algum tempo, já vem se falando sobre o avanço da cultura da cana.” O problema, ressalta Hélio, é a qualidade dessa mão-de-obra e seu impacto nas cidades onde é gerada. “Lamentavelmente. Não é um emprego de mão-de-obra qualificada, os salários são baixos. Gera emprego, mas atrai fluxo migratório de outras localidades e acaba gerando problemas sociais para os governos dos municípios da região.” Já o presidente do sindicato patronal rural de Patrocínio e diretor da Faesp (Federação da Agricultura do Estado de São Paulo), Irineu Andrade Monteiro, diz que estes números são sazonais e não acredita que a cana de fato ultrapassou as demais culturas. “Os cortadores de cana são eventuais. Os outros são permanentes, por isso eles são maioria.” QUINTO LUGAR A ocupação com maior relevância relacionada à produção de calçado, a de sapateiro de calçados sob medida, aparece apenas na quinta colocação, com 3.121 postos, atrás do vendedor do comércio varejista, que ocupa o terceiro lugar, com 4.706 postos de trabalho e dos motoristas de caminhão, que somam 3.887 profissionais trabalhando no setor. Depois, na nona colocação, aparece o cortador de calçados a máquina, com 1.614 vagas, seguido pelo preparador de calçados, com 1.825 empregos. Quando o assunto são as ocupações que mais cresceram em número de vagas, o de trabalhador volante na agricultura é o primeiro colocado. Foram 506 vagas abertas na região em 2007. Na seqüência, aparece o alimentador de linha de produção, com 467 vagas, seguido pelo vendedor do comércio varejista, que teve 455 vagas a mais do que em 2006. Esta ocupação é a que mais gerou emprego entre as mulheres, com 533 vagas, seguida pelo posto de alimentador de linha de produção, que foi responsável por 461 novas vagas.

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