De cada seis moradores de Franca, um é criança. A constatação foi feita no mês em que se comemora o Dia Mundial da Infância, 21 de março. Tal percentual coloca Franca como a 10ª cidade entre as 22 maiores do Estado de São Paulo com mais crianças entre 0 e 9 anos de idade. Os dados são da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).
As estatísticas são referentes a 2007 e revelam que dos 332.109 habitantes da cidade, 54.724 são crianças. Com 16,48% de moradores menores de 9 anos, Franca “bate” municípios maiores. Ribeirão Preto, que é maior e teve quase o dobro de nascimentos de Franca em 2006, fica atrás dos francanos quando o assunto é população infantil. Lá, 14,10% dos habitantes são crianças. No ano retrasado, nasceram 7.462 bebês em Ribeirão contra 4.871 francanos.
Para o economista Hélio Braga, a diferença é “um paradoxo” e só pode ser explicada pelo fluxo migratório no município. “Ribeirão Preto tem crescimento vegetativo maior e tem menos crianças.
Franca possui mais porque ainda é pólo econômico e continua atraindo moradores da região e de outras localidades. E essas pessoas sempre trazem a família quando se mudam”, disse. Segundo o Ipes (Instituto de Pesquisa do Uni-Facef), só em 2004, Franca recebeu mais de 3.400 migrantes.
O vice-prefeito Ary Balieiro considera positivo o fato de Franca ser a 10ª cidade com mais crianças. “Significa que as famílias encontram um ambiente feliz para morar. Por outro lado, é evidente que essa faixa etária é superprotegida e temos compromisso de oferecer todos os serviços em termos de creches, pré-escola, ensinos fundamental e básico e lazer”.
Balieiro reconhece deficiências no atendimento à infância já que a oferta é menor que a demanda, mas acredita que a cidade esteja no caminho certo. “Não somos perfeitos, evidentemente, mas temos trabalhos, iniciativas e instalações em processo de atendimento na infância. Hoje em Franca temos um atendimento bastante razoável”.
Na opinião dele, a falta de investimentos na educação é o principal problema e se existissem recursos, a situação poderia ser resolvida em “efeito em cadeia”. “Faltam recursos para a educação, que envolve, fundamentalmente, o amparo às crianças. A política federal é a mãe de todas e se adotar um processo a política estadual e municipal vai na esteira”.
QUE DELÍCIA
Lara Goulart Neves, 8, aluna do 4º ano da Escola Vivenda, engrossa as estatísticas da infância francana. “É bom porque podemos aproveitar mais a vida. É melhor que ser adulto por não termos muitas preocupações, como meus pais para pagar as contas”.
Lara gosta de estudar, brincar nas árvores e balanços e prefere, “desde criança”, ouvir rádio a assistir à tevê. A garota, aliás, quer ser cantora quando crescer. Ela já se prepara para realizar o maior sonho. Desde 5 anos compõe músicas românticas. “Já tenho 14 e quero gravá-las no futuro”, disse.
A única insatisfação de Lara na sua infância é a falta de áreas de lazer em Franca. “Tinha que ter mais diversão para as crianças. Os únicos lugares para eu me divertir são o shopping e Mc Donald’s e parque de diversão e circo, quando tem”.
CRECHES
Em Franca, as reclamações dos pais sobre as dificuldades no atendimento à saúde e falta de vagas em creches são recorrentes.
Nas 30 unidades francanas para crianças até 6 anos, são 2.700 atendidos. Levantamento recente do Comércio aponta que 1,5 mil filhos estariam na fila das creches. “É verdade que em se tratando de educação temos que crescer. Mas estamos nos estruturando. Desde 2005, criamos 846 vagas em creches e vamos construir mais.
Trabalhamos pela permanência dos meninos na escola e formação de cidadãos participativos e éticos”, disse Leila Haddad, secretária de Educação.
Colaborou Thiago Rociolli
* Pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), são crianças todas as pessoas com até 12 anos incompletos, mas o Seade não disponibiliza dados individuais desta faixa etária, por isso foram consideradas apenas a população com até 9 anos.
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