A pedagoga Selma de Andrade, 42, diretora administrativa da Escola Vivenda, trabalha há 22 anos com crianças. Para ela, a infância está bem diferente da de décadas passadas e tem sido abreviada seja pelo número reduzido de filhos na família ou agenda cheia dos menores. Incentivar brincadeiras tradicionais é uma forma de aproveitar melhor essa fase da vida.
Comércio da Franca - A senhora acredita que a infância sofreu mudanças?
Selma de Andrade - Sem dúvida, percebo que a infância dos nossos filhos e alunos, se comparada com a nossa, sofreu muitas alterações. Primeiro que as famílias de hoje têm número reduzido de filhos e com isso as crianças brincam menos com irmãos, primos e vizinhos. Essas crianças não brincam mais nas ruas como fazíamos. Reuníamos desde crianças de 2 anos até o adolescentes e a gente brincava e brigava na rua e lá mesmo resolvíamos os problemas. Chegava em casa com a solução pronta. Nossos filhos perderam isso. Hoje a escola é o espaço e a possibilidade da convivência.
Comércio - Como resgatar essa fase?
Selma - Precisamos priorizar a infância e promover para as crianças momentos para elas brincarem e usufruírem da idade que têm.
Comércio - E por que brincar é importante?
Selma - A brincadeira faz com que as crianças se desenvolvam. E qualquer brincadeira tem uma intenção. Se as crianças vão brincar de casinha, o montar a casinha e cuidar dos brinquedos tem um objetivo, que nada mais é aprimorar conflitos internos. A criança vai vivenciar isso numa brincadeira.
Comércio - O que a senhora sugere para os pais lidarem de maneira adequada e produtiva com essa “infância moderna”?
Selma - Não sei se é conselho ou dica. Para mim, é fundamental resgatar a infância dos nossos filhos, das nossas crianças, dos nossos sobrinhos possibilitando que brinquem de roda, de pique-esconde, de pular corda, de chamar amigos para brincar em casa e fazer escolhas para os nossos filhos poderem usufruir disso.
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