Consagrado em Franca por uma carreira de meio século entre tintas e pincéis, o artista plástico Hélio Tasso, 72 anos, inaugura, amanhã, às 20 horas, a exposição Arte/Reflexão, na Sociedade Beneficente Irmãos Italianos Unidos. Durante a solenidade de abertura, a musicista Marilda Tasso Rezende, filha do pintor, conduzirá a apresentação de uma orquestra juvenil.
Nessa mostra o pintor apresentará 35 telas que dão noção de seu estilo eclético, mas com forte tendência figurativista, em que a simetria, a criação da atmosfera e a recriação da vida em imagens realistas são essenciais, sob a forma de retratos, naturezas-mortas, paisagens e a “psicossoarte”. Esse estilo denominado “psicossoarte”, de autoria e alcunha do pintor, numa primeira mirada parece surrealismo pela conjunção de signos aparentemente oníricos em situações improváveis, mas que se ligam, na figuração, muito mais à vertente expressionista, ao pretender a formalização estética dos sentimentos. Nessa sua vertente, Hélio Tasso apresenta cenas de dramaticidade tanto na composição das cenas com alguns elementos recorrentes, que criam sua própria gramática dentro da arte, como borboletas, violinos, paletas, garrafas de vinho, quanto na manipulação de luz e sombra por meio de técnicas de esfumaçamento, como as antevistas nos véus diáfanos que transfiguram e iluminam suas cenas.
Para a exposição ele promete o quadro Vulto de Mulher 2, desdobramento homônimo, na proclamada “psicossoarte”, daquele que talvez tenha sido seu mais dileto trabalho. “O primeiro Vulto de Mulher 2 foi um quadro que eu não queria vender. Mantive comigo por muito tempo, até um colecionador ribeirão-pretano me oferecer uma soma considerável por ele (R$ 5 mil)... Aí, não teve outro jeito senão entregá-lo!”, conta o pintor. Hélio Tasso pode ser definido, aliás, como exceção à mítica da penúria financeira como condenação aos artistas plásticos de forma geral. Como poucos, soube, ao longo de sua carreira, valorizar seu trabalho e capitalizar sobre a robusta produção de pelo menos 3 mil telas.
Ele conta que a arte lhe proporcionou conforto e estabilidade financeira como nenhuma outra atividade que exerceu. “Tudo que eu tenho eu devo à arte, que me deu um nome de respeito. Comecei a viver muito melhor a partir dela. Depois da minha primeira exposição, em 1975, cheguei a cobrar US$ 6 mil por um retrato. Se consegui patrimônio pessoal, foi em virtude da venda de meus quadros e dos trabalhos artísticos em publicidade e criação de layouts para caixas de sapato, design de calçados que sempre fiz”, esclarece.
Ainda em relação à coleção de telas que traz agora a público, o artista explica que a novidade ficará por conta de seis retratos de explosões cósmicas. Ele se diz assíduo freqüentador de sites de astronomia como os da Nasa e fascinado pelos movimentos celestes, por nebulosas e pelos abalos que a força da gravidade cria, gerando rastros de poeira visualmente parecidos com pinturas abstratas. “A idéia de pintar essas imagens vem também de uma inquietação primordial: se fosse figurar Deus, que forma lhe daria? Não creio que seria a de um velhinho de barba branca com um cajado punidor nas mãos. Acho que o mais próximo d’Ele são essas imagens de ‘big bangs’; a partir da idéia do surgimento do mundo em explosões de nascimento. Não por acaso denominei essa série de ‘Gênese’”, reflete, entusiasmado com os tons azuis esfumados da Via Láctea, seus cometas faiscantes, suas irrupções espetaculares em novos sóis retratados pelo pincel em vaivéns, no fazer e refazer, empastando e provocando explosões cromáticas.
Se não temos ainda respostas para essa universal inquietação, podemos, ao menos, imaginá-las, pelas pinceladas líricas e precisas desse grande artista francano.
SERVIÇOS
A Sociedade Beneficente Irmãos Italianos Unidos fica na Rua Voluntários da Franca, 1361 - Centro. A exposição de Hélio Tasso está aberta à visitação pública de segunda a sexta-feira das 8 às 20 horas aos sábados e domingos das 9 às 12 horas.
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