Difícil. Muito difícil falar, escrever, descrever ou tentar definir o mestre e doutor Alfredo Palermo. Meu professor de Português e Literatura Brasileira e Portuguesa no IETC (curso científico) e, antes, no ginasial, como orientador, ao lado de Irmãos Maristas do Colégio Champagnat, através de uma academia da qual não me recordo o nome e que era uma – digamos assim – fábrica de intelectuais, razão pela qual não consegui acompanhar o time, até por não estar à altura. Até hoje não conheço nenhum professor que possua a didática que lhe é inata e peculiar. É invencível neste campo.
Batalhou muito pela criação e instalação da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Franca. Posso até dizer que era sua “menina dos olhos”, hoje reduzida a Faculdade de Direito, História e Serviço Social. Alem de professor, mestre e doutor, chegou a diretor. Tudo isto também aconteceu em relação à Faculdade de Direito de Franca, que se encontra entre aquelas que mais merecem credibilidade em todo o Brasil.
Foi no Direito Municipal que voltei a vê-lo. Por cinco anos tivemos uma convivência sadia, às vezes turbulenta em face da política estudantil (muito forte em 1964), por conta de meu ativismo e da posição dele como e quando diretor. Minha turma lhe causou dissabores políticos, administrativos e disciplinares, mas sempre houve grande respeito de parte a parte.
Lembro-me também da época em que, trabalhando como escrivão do Tribunal do Júri, pude seguir suas atuações quase sempre como advogado de defesa, ao lado do Dr. Baldijão Seixas, Dr. Flávio Rocha e outros que se tornaram os terrores de promotores públicos que não conseguiam sobrepujá-los em face da capacidade e competência com que atuavam. E olhe que o Ministério Público sempre foi formado por ilustres e cultos membros que nos proporcionaram grandes, históricas e inesquecíveis batalhas jurídicas.
A competência de Alfredo Palermo sempre foi pública e notória. Sua presença na sala de audiências era sinal de alerta para a parte contrária e até para o juiz encarregado da condução do processo.
Homem público sempre disposto a fazer por Franca, tornou-se deputado federal compondo na capital federal, o Rio de Janeiro, com homens como Ulisses Guimarães, frente sempre disposta a pugnar pelo Estado de São Paulo e por sua cidade.
Como jornalista e escritor, foi praticamente insuperável. Conciso. Objetivo. Ético. Clarividente. De fluência sem igual que me inibe na escrita destas linhas. Faço-o assim mesmo, como ex-aluno e admirador, com a certeza de que saberá abonar os erros de ortografia, de concordância e tantos outros que eu esteja cometendo.
Gostaria, enfim, que recebesse este texto como uma homenagem a tudo o que representou e ainda representa na nossa vida e na da comunidade francana. Ele que sempre prestigiou as atividades educacionais, sociais e culturais francanas, ensinando com classe, calma e paciência os caminhos da sabedoria e da paz, merece mesmo o título de professor emérito que a Faculdade de Direito Municipal lhe conferiu na última semana. Infelizmente ele resolveu se afastar das diversas lides em que é e sempre foi mestre e douto. A nós, que o respeitamos, só resta lamentar e dizer: por toda a sua obra doutor Palermo, muito obrigado mesmo.
ODORICO ANTÔNIO SILVA é advogado
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