Política externa?


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No Brasil é comum encontrarmos indiferença à política externa praticada pelo governo. Há dissabores? Que sejam resolvidos pelas autoridades competentes. Pretextos para o desinteresse não faltam. Alguns dizem que toda a energia e recursos devem ser direcionados para preocupações e problemas internos. Outros, que a ausência de conflitos armados há mais de um século com países vizinhos é fator mais que suficiente para que não exista preocupação alguma. Mas há que se ter. Nenhuma ilha vive completamente isolada e o Brasil, País de proporções continentais, com nada menos que 11 vizinhos na América do Sul, tem que cuidar, sim, de relações internacionais. Contrário ao senso comum, o Brasil é ator de relevância no cenário mundial. Na semana passada, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, manifestou apoio público à inclusão do País no G-8 (grupo das nações mais industrializadas do mundo, além da Rússia) e no Conselho de Segurança da ONU. Também o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que apoiaria a “possível entrada do Brasil, da China e da Índia no G8, se os demais países do grupo quiserem”. Este Brasil “não ameaçado” tem sido solicitado a atuar como mediador em conflitos internacionais (Timor Leste, Haiti e outras, que se pode conhecer em http://www.abfiponu.org.br/artigos/artigo001.htm) e sul-americanos, Colômbia/Venezuela/Equador, a exemplo. Merece reflexão em que medida esses contenciosos atingem nossos interesses e, portanto, nos afetam. Para ficar nas seqüelas dos embates de países vizinhos que podem nos atingir, vale dizer que uma das alternativas, de lançamento de agrotóxicos nas plantações colombianas de coca, pode trazer conseqüências trágicas ao ecossistema da região amazônica brasileira, como a contaminação de rios que correm em nosso território. De outro lado, o grande interesse do governo brasileiro em mediar acordos para pôr fim a possíveis ameaças à integração na América Latina significa tentativa de ratificação da identidade ‘cordial’ brasileira frente à comunidade internacional, apesar das derrapadas a que isso possa levar. A Petrobrás que o diga, após perder instalações e investimentos na Bolívia de Evo Morales, E o cidadão brasileiro precisa estar atento. Não dá para assinar procuração em branco. Ficar alheio é aceitar que as autoridades acertem sempre. MARIANA CURSINO DA CRUZ é bolsista PIBIC, estudante de Relações Internacionais na UNESP, campus de Franca

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