O adolescente Gustavo Henrique Apolinário, 15, saiu de casa, no Jardim São Luiz, para se divertir com amigos em uma lan house do bairro. Disse para a mãe ficar com Deus e prometeu voltar logo para tomar banho. Não voltou. Amanhã completaria um mês que não era visto. Seu corpo foi encontrado ontem à noite nos fundos do campo do Jardim Palestina. Estava enrolado em um cobertor e enterrado próximo a uma mata. Um menor de 16 anos, amigo da vítima e de seus familiares, confessou ter matado o garoto a pauladas por, supostamente, ter levado um tapa na cara. Denúncias indicam que o caso é mais complexo e que o assassinato pode estar ligado à guerra do tráfico na zona leste de Franca. Sua morte teria sido encomendada por traficantes.
Domingo, dois de março. Como fazia todos os dias, Gustavo, que já ficou preso um ano acusado de tráfico, deixou sua residência na Rua Osvaldo Borges Campos. Sempre se reunia com conhecidos em uma cyber da Avenida Major Elias Mota. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu depois. O rapaz tinha o hábito de ficar alguns dias longe de casa e os familiares não se preocuparam. No dia 14, estranhando a falta de notícias, os pais foram até a delegacia e noticiaram o desaparecimento.
Não demorou para que a polícia recebesse denúncias de que ele teria sido assassinado e enterrado na mata ao lado do campo do Jardim Palestina. Na semana passada, investigadores da equipe de homicídios da DIG fizeram escavações no local, em vão. Conseguiram chegar a um adolescente de 16 anos, também morador do São Luiz, que confessou ter matado Gustavo.
Na tarde de ontem, acompanhado de um advogado, ele levou os policiais até uma cachoeira nos fundos do Jardim Paulistano, e garantiu ter matado o amigo lá e jogado o corpo nas águas. “Nós viemos aqui fumar crack. Uns dias antes, ele havia dado uma tapa na minha cara. Não queria matar ele, não, mas eu tava muito louco (sic). Dei umas pauladas na cabeça dele e joguei lá dentro”.
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Com a ajuda de bombeiros, policiais da DIG fizeram uma varredura no local. “Ele mentiu para tentar dificultar a localização do corpo, mas os bombeiros garantiram que não havia nada no local.
Dias antes, eles haviam feito uma varredura no riacho para procurar outra vítima e teriam encontrado o corpo se, realmente, estivesse lá”, explicou o delegado Eduardo Lopes Bonfim.
Os investigadores voltaram com o acusado novamente para a delegacia. Pressionado, ele resolveu falar a verdade. Por volta das 20 horas, levou os policiais no Palestina e mostrou onde havia enterrado. Dezenas de curiosos acompanharam as escavações. O assassino deixou o local escoltado para não ser linchado.
Lucilena Apolinário, irmã de Gustavo, acompanhou as buscas no riacho durante o dia ao lado da mãe e tinha a esperança de encontrar o menor com vida. Para ela, a versão de que o autor matou por ter levado um tapa na cara não é verdadeira. “Não acredito que este moleque matou meu irmão. Deve estar abraçando a bronca dos outros. Eles eram amigos. Muitas pessoas vinham falando que matariam meu irmão. Ele estava passando muita nota falsa para traficantes”.
O investigador Lucas informou que a polícia acredita na participação de outras pessoas e que vai tentar identificar os co-autores. “Apuramos a hipótese de que a vítima possa ter sido morta por causa de drogas”. A polícia pedirá a prisão do autor à Justiça.
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