Será o acordo uma unanimidade?


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O Sindicato dos Sapateiros aceitou, ao final da última semana, proposta do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) e aprovou, em Assembléia Geral, reajuste de 7% mais benefícios, fechando o dissídio de 2008. Fim da história? Pelo menos por agora, mas não sejamos ingênuos: vêm aí 2009, 2010... Há um fato que começa a tomar corpo e poderá significar quebra de paradigmas nas próximas negociações. Consultei proprietários de dez indústrias de calçados dos mais variados portes e que respondem por mais de 150 mil pares de calçados fabricados ao mês, de 30 a 3 mil pares diários, empregando cerca de 800 funcionários. Queria saber sobre o posicionamento do empresário micro, médio e pequeno sobre a possibilidade de greve, que vinha sendo sinalizada pelo Sindicato dos Sapateiros, se o Sindifranca não elevasse sua proposta para o índice de correção salarial. Há fatos novos no ar. Óbvio que as visões gerais sobre o assunto se diferenciaram no aspecto físico, mas tinham pontos em comum na essência. Em primeiro lugar, nenhum dos consultados integra o Sindifranca. São de opinião que o mesmo não representa a todos do mesmo jeito e se dedica mais a uma minoria de grandes capitães de indústria. Suas opiniões não estariam sendo levadas em consideração e, por extensão, teriam participação irrisória na decisão de assuntos que poderiam intervir no dia-a-dia de suas empresas, e sua participação junto à entidade seria irrisória. Em segundo lugar, ficou patente o receio sobre a possibilidade de greve. Por se tratar de indústrias pequenas, os possíveis dias parados significariam, além do prejuízo direto, perda certa de vários e preciosos clientes. Vale destacar que cliente perdido para um pequeno representa meses de trabalho de campo. A partir deste receio, só duas empresas, das 10, se negariam a negociar diretamente com seus funcionários, Os restantes negociariam e tentariam encontrar um denominador comum, independente da decisão do sindicato patronal. Para deixar ainda mais patente a quebra de paradigma sobre negociações diretas, os empresários dizem que são capazes de estabelecer, junto aos colaboradores, dada a proximidade e conhecimento das qualidades de cada um, estilos de remuneração adequados. Não acham que um único índice de reajuste é justo. Para alguns, bons, é pequeno; para outros, não eficientes, pode ser alto. Entendem que o acordo coletivo privilegia o mau funcionário, nivela por baixo a categoria e impede o empregador de premiar adequadamente o trabalho de qualidade, em resumo. Se o presidente do Sindicato dos Sapateiros teve a humildade de assumir que a força de greve da categoria em Franca foi reduzida nos últimos anos com a queda de seus principais gigantes empregadores, não seria este o momento de buscar novos rumos? Encerro com a lição do dramaturgo Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”. MÃO-DE-OBRA RECONHECIDA Após as reviravoltas das leis trabalhistas, os chineses se colocam “à caça” de trabalhadores qualificados para suas linhas de produção. A estes o mercado tem oferecido até o dobro do salário praticado com praxe. Os benefícios concedidos pela legislação de Pequim incluem vantagens como o pagamento de hora-extras e reajuste de 13% nos salários mínimos praticados pela categoria naquele país. Dos fabricantes, 15% estão divididos entre fechar as portas ou mudar de país. A informação é do site da Couromoda. PROPRIEDADE INDUSTRIAL Discute-se no Congresso dos EUA projeto que prevê multas de até US$ 250 mil para quem copiar um figurino original. Segundo o IBTeC (Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos), este é o resultado que estilistas de renome no mercado norte-americano estão obtendo a partir de seus esforços pela preservação de direitos de propriedade de patentes sobre suas criações. Tentam ganhar proteção legal há anos. Livros, filmes, arquitetura e programas de computação têm proteção legal como se fossem arte original, mas roupas e calçados ainda não o são. A medida visa reduzir a pirataria, amplamente utilizada pelo setor lá, como cá. AINDA SOBRE AS GRANDES Citando a matéria “O fim da era dos gigantes”, publicada pelo Comércio em 23 de março, o consultor Zdenek Pracuch destaca alguns dos itens possivelmente responsáveis pela situação: “A resposta não é simples e as causas são múltiplas, mas com o desfecho comum: fechamento das empresas e o fantasma do desemprego para centenas de famílias. Na maioria dos casos as empresas foram vítimas do próprio crescimento, do tamanho que atingiram e para o qual não foram preparadas estruturalmente. A maior causa da situação precária foi a falta de controles aliada à ilusão de mercado cativo e fácil. Falta de estruturas e de controles deve ser considerada como a causa principal.” É sempre recomendável utilizar a cautela.

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