Quarenta e oito horas após ser preso pela Polícia Civil, o motorista Valmir Borges, 42, deixou a cadeia de Pedregulho. Ele dirigia o caminhão que bateu de frente com uma perua na serra de Rifaina sexta-feira. O desastre deixou cinco mortos e dois feridos. Beneficiado pelo alvará de soltura, responderá ao processo de homicídio doloso (com intenção de matar) em liberdade. Um dos sobreviventes deixou o CTI ontem.
O desastre aconteceu às 6h30. Logo após passar pela “curva da morte”, Valmir perdeu o controle do caminhão Mercedes Bens carregado com caixas de pisos. O veículo cruzou a pista contrária, bateu em um barraco e pegou a Perua Kombi de frente. Cinco ocupantes morreram na hora. Ketima Santana Fonseca, 13, e Cristiane Helena Santos, 18, alunas da Apae, sofreram politraumatismo e foram levadas para a Santa Casa. Ketima está se recuperando bem e foi transferida para o quarto.
Ainda na tarde de sexta-feira, o delegado Fábio Branquinho decidiu prender o motorista do caminhão em flagrante. “Não encontrei motivos para ele ter trafegando tanto na contramão. Com sua conduta, ele assumiu o risco de matar”.
Valmir Borges ficou recolhido na cadeia de Pedregulho e dividiu cela com outros oito presos, acusados de crimes diversos. Segundo os carcereiros, estava abatido e recebeu apoio dos companheiros.
Por volta das 14h50 de domingo, seu advogado chegou à delegacia com um alvará de soltura e ele foi posto em liberdade. Retornou imediatamente para Patos de Minas, onde trabalha e mora. No dia em que foi preso, o motorista evitou contato com a imprensa e não quis apresentar sua versão. “Vocês devem imaginar como está minha cabeça...”. Questionado se havia perdido os freios, negou. “Não. Foi outra coisa. Perdi o controle, perdi o controle”.
Em depoimento à polícia logo após o acidente, disse que um carro que seguia atrás do caminhão não parava de acenar com a luz, o que lhe teria tirado a atenção. Depois, já na delegacia, ele voltou a afirmar que o carro acenava com luz e, em seguida, ultrapassou seu caminhão. “Ouvimos uma testemunha hoje (ontem) e ela garantiu não ter visto nenhum veículo ultrapassando o caminhão na hora do acidente. Tudo indica que houve falha humana, mas ainda aguardo o resultado do laudo para poder afirmar o que aconteceu”, finalizou o delegado Fábio Branquinho.
REVOLTA
Ainda chocada com a tragédia, a população de Rifaina está revoltada com a omissão do Estado e planeja uma manifestação no trecho em que aconteceu o acidente. Amigos e familiares mandaram confeccionar camisetas com nomes e fotos das vítimas para usarem na missa de sétimo dia. A solenidade acontecerá quinta-feira na igreja da cidade. “A dor é muito grande. Não tenho palavras para dizer o que estou sentindo. A tragédia mexeu muito comigo. Esperei tanto por este dia (noivado) e perdi meu grande amor na véspera”, lamentou o investigador Érick Borba. Ele ficaria noivo no sábado da professora de educação-física Jaqueline Pereira Pinho, 24.
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