Mais 5 mortos e uma cidade de luto: por quê?


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Cerca de 1,5 mil pessoas acompanharam o enterro das cinco vítimas na manhã de ontem, em Rifaina: comoção geral
Cerca de 1,5 mil pessoas acompanharam o enterro das cinco vítimas na manhã de ontem, em Rifaina: comoção geral
Uma cidade inteira de luto e a ânsia por uma mesma resposta: por quê? Por que cinco pessoas perderam a vida em mais um trágico acidente enquanto seguiam para a escola, para cuidar da saúde, trabalha ou se prepara para o noivado? A pergunta, provavelmente, não terá uma resposta. E mesmo que tenha não deverá ser convincente o suficiente a ponto de saciar quem perdeu as pessoas que ama. A tragédia protagonizada na Rodovia Cândido Portinari, no trecho batizado de “curva da morte”, na manhã de sexta-feira, chocou. O acidente matou cinco pessoas, sendo três da mesma família, e destruiu três histórias de amor. O motorista da Kombi, Laércio Masson Filho, 42, e a sua mulher, a serviços-gerais Eliana Pinho Masson, 40, estavam juntos havia 25 anos. Ele levava alunos de Rifaina para Franca e a mulher dele estava de carona para ir ao dentista. Os dois morreram na hora, após a colisão com o caminhão desgovernado. Outro casal que teve a história a dois interrompida drasticamente foi a professora de educação física Jaqueline Pinho, 24, e o investigador Érik Borba. A jovem seguia na Kombi com os tios Laércio e Eliana para comprar em Franca uma roupa para o noivado. Ela trocaria alianças com o namorado na noite de ontem, sábado. O sonho foi destruído na estrada. O universitário Gean Lima Cordeiro, 19, namorava Eduarda Bosco há pouco mais de um ano. A jovem mora em Sacramento e estava desolada ontem durante o velório e o enterro. Para ela, perder o namorado trouxe momentos de desespero e dor incontroláveis. O estudante seguia para a Unifran, mas não pôde aprender mais sobre as disciplinas do primeiro ano do curso de Educação Física. Também morreu na hora. Não apenas laços afetivos entre casais foram rompidos bruscamente com o acidente em Rifaina. Isabel Batista dos Santos, 19, aluna da Apae de Franca, também perdeu a vida e deixou seis irmãos e a mãe desesperados. Ela não havia comparecido à entidade no dia anterior à tragédia e saiu ansiosa de casa para rever os amigos na sexta-feira. Não deu tempo de matar a saudade. A viagem foi interrompida pouco depois de deixar sua residência. Aos pais, irmãos, avós, tios e amigos resta pouco a fazer. Consolar uns aos outros, rezar e tentar unir forças para que o fato de ter mais cinco vidas ceifadas na “curva da morte” acorde as autoridades. A tragédia de sexta-feira não é a primeira a matar várias pessoas. Em maio de 2002, um ônibus transportava 30 estudantes e caiu numa ribanceira no mesmo trecho da Cândido Portinari. Foram 20 mortos, a maioria estudantes na Unifran. Nos últimos seis anos, são 28 pessoas mortas no local. Muitos inocentes perderam suas vidas num trecho perigoso, com pouca visibilidade e que faz jus ao nome como foi batizado. É difícil entender, mas parece que o Estado caiu num sono profundo e a impressão é a de que as autoridades não vão acordar tão cedo. Todos os projetos para construir um viaduto ou transformar o trecho em linha reta não saíram do papel, nem depois de tantas mortes. Não há previsão de resolver o problema a curto prazo. Para o secretário de Transportes, Mauro Arce, a estrada não é culpada. “Não é esse (falta de duplicação da pista) o motivo do acidente. Não se pode dizer que se tivesse um viaduto, o acidente teria sido evitado”, disse, ao ser questionado sobre o problema durante entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, na sexta-feira. Enquanto autoridades nada fazem, os familiares temem por mais mortes, mais momentos de dor e sentimento de impotência diante das perdas. “Moro em Rifaina, mas sempre vou a Franca e passo pelo lugar onde já perdi muitos amigos e agora minha irmã, uma pessoa tão especial. Até quando será assim?”, questionou a costureira Maria Helena Calixto, 35, irmã de Isabel.

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