‘Vocês não têm noção do que é perder um filho’


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Há três anos, a dona de casa Daédina Pereira Pinho perdeu o filho de apenas quatro anos de forma trágica. O garoto morreu afogado em Rifaina. Abalada, ela foi consolada pela filha Jaqueline Pereira Pinho. Nova tragédia se abateu sobre a família sexta-feira. Jaqueline foi uma das vítimas do acidente. Comércio da Franca - Como foram os últimos momentos com sua filha? Daédina Pereira Pinho - Ela estava feliz demais (começa a chorar). Nunca na vida dela tinha feito um café antes. Hoje (sexta-feira), levantou e fez o café para o pai dela. Ele ainda brincou, falando: “ê filha, já vai treinando!”. Sou mãe de três filhos, e perdi um tem pouco tempo. Agora, perdi minha filha. Já havia perdido meu pai. Estou ficando sozinha... Comércio - O que ela iria fazer em Franca? Daédina - Estava indo para comprar algumas coisas para ela, para o noivado, para a decoração. Também queria comprar uma roupa nova. Comércio - Como recebeu a informação de que ela havia morrido? Daédina - Eu estava em casa e meu irmão chegou perguntado por meu marido, que havia saído. Um colega de trabalho dela estava junto com meu irmão. Perguntei o que queria, mas ele não respondia. Percebi que alguma coisa havia acontecido. Ele começou a chorar e não conseguiu falar. Depois, disse que ela havia se acidentado e que não havia machucado. Pela cara deles, percebi que o pior tinha acontecido. Comércio - Qual foi sua reação? Daédina - Nossa, moço, você não faz idéia. Sou mãe de três filhos. É o segundo que morre de maneira trágica. Estou muito chocada. Parece que a ficha ainda não caiu. Não estou conformada. Não posso acreditar que vou ficar só com uma filha. Não posso imaginar uma coisa desta. Não é possível, gente do céu. Vocês não têm noção do que é perder um filho... Comércio - Quais foram as últimas palavras que falou para sua filha? Daédina - Ela levantou de manhã e falou: “Vou com meu tio para Franca. Estou tão cansada, mas vou vir em tempo, porque tenho que trabalhar”. Perguntei para ela: “Por que você não deixa de ir?” Ela respondeu que era preciso. Não quis nem tomar café para não passar mal na viagem. Saiu e disse: “Tchau, mãe”.

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