Imagine pilotar um avião com os pés no chão. Com o controle nas mãos, toques simples, mas precisos, fazem com que réplicas de jatos, aviões de guerra e helicópteros cruzem o céu e se arrsiquem em exi-bições de malabarismos. A paixão pelo aeromodelismo cresce em Franca e ganha cada vez mais adeptos. Para esse grupo, majoritariamente masculino, acima dos 30 anos, a sensação é indescritível. Sentir a adrenalina pelo corpo, relaxar e vencer desafios ao pilotar aeromodelos que podem custar até R$ 15 mil é o que atrai essas pessoas. “Eu aqui embaixo vendo o avião lá em cima é um delírio. O avião faz o que eu quero sem ter nada ligado a ele”, disse o mecânico Teótimo Bolela, 64, recordando quando um senhor passou a mão em frente ao controle para se certificar de que não havia nada grudado ou ligado ao aparelho.
Bolela se apaixonou pelo aeromodelismo há 33 anos. Antes de conhecer os aviões fazia peças em bambu e a hélice, de madeira. Mas, sem conhecimento, os brinquedos não resistiam durante o vôo.
“Eles voavam três, quatro metros, e caíam no chão. Um dia conheci um amigo que tinha um aeromodelo e quando vi o avião dele subir e descer sem cair e quebrar, pulei e chorei de tanta emoção. Comecei a colecionar em 1975”, disse ele, que tem 15 aeromodelos.
Foi com essa experiência que Bolela ajudou a fundar o CAF (Clube de Aeromodelismo de Franca), um dos dois existentes, e em atividade há oito anos. Hoje 25 integrantes, entre médicos, vendedores, engenheiros, empresários e até crianças, se reúnem todos os fins de semana na sede da entidade, no Bairro City Petrópolis. Na agenda, estão vôos, competições, consertos, fabricação de aeromodelos e cuidados com os aviões, além do churrasco. Faça chuva ou sol, eles estão lá. Se o tempo estiver fechado, o grupo aproveita para limpar os aeromodelos, abastecê-los ou colocar a conversa em dia até a pista ser liberada. “É uma paixão que temos. Primeiro pela amizade, porque o CAF é uma família, depois pelo hobby. Aqui nem vejo o tempo passar”, disse o construtor Valdeci Seabra, 41, que coleciona 30 aeromodelos pendurados pela garagem, quarto e sala de sua casa.
Os aeromodelistas do CAF possuem máquinas com medidas de 80 centímetros a 2 metros e que custam de R$ 1 mil a R$ 3 mil, mas eles podem ser maiores e mais caros (veja mais detalhes no quadro nesta página). A entidade planeja organizar ainda em 2008 o Primeiro Encontro Regional Francano de Aeromodelismo.
Praticante desde 1987, o engenheiro Francisco Diniz, 42, além da diversão deu nova função aos pequenos aviões. Ele instala uma máquina fotográfica num de seus helicópteros e enquanto pilota, fotografa. A câmera é disparada pelo mesmo controle usado nos comandos do helicóptero, um aparelho que emite ondas através de freqüência de rádio.
“Podemos fazer fotos aéreas de baixa altitude, mais próximas e de alvos menores, como lagoas, aterros sanitários e voçorocas. Disparamos várias vezes para acertar o foco. Hoje tenho uma noção melhor das distâncias”.
Além do CAF, os apaixonados pelos modelos se encontram no FAM Aeromodelismo, que, funcionando há seis anos, oferece, além da pista para pousos e decolagens, assessoria para quem quer comprar, aprender a pilotar ou consertar aeromodelos (leia mais nesta página).
COMO APRENDER
Pilotar um aeromodelo é algo que requer disciplina para os treinos e paciência. Como nas auto-escolas, os alunos iniciam a prática monitorados pelo instrutor. “Nas primeiras aulas, o aeromodelo é pilotado com dois controles: um comandado pelo aluno e o outro pelo instrutor. Se o aluno falhar, o professor assume o comando. Juntos, o risco de cair é praticamente nulo”, disse o instrutor Fábio Junqueira Filho, 28, do FAM.
Os alunos aprendem a decolar, pousar e fazer manobras mais ousadas, como looping, vôo com as rodas para cima e em parafuso. No CAF, o curso é gratuito. Para iniciar o hobby, os praticantes precisam investir cerca de R$ 1.300 para comprar um modelo básico de aeromodelo, o rádio e a caixa de campo, que funciona como um posto de combustível com a parte de assistência mecânica. O tempo das aulas é variado, pois depende das habilidades de cada um.
O FAM cobra R$ 15 por aula. O telefone do CAF é 3012-2364, com Valdeci, e do FAM, 9225-4704, com Fábio.
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