Os assentados da Fazenda Boa Sorte, em Restinga, fecharam ontem a Rodovia Cândido Portinari, em frente ao acesso para a fazenda. O manifesto começou às 10 horas com a participação de 150 pessoas ligadas ao MST (Movimento dos sem-terra) e MLST (Movimento pela Libertação dos sem-terra). O trânsito ficou impedido dos dois lados da pista, gerando muita revolta entre os motoristas. Nem os motoqueiros conseguiram passar. O líder do grupo, Nédito Silva, disse que a manifestação é para reivindicar a federação do assentamento. O grupo quer que o Incra (Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária) assuma a Boa Sorte, que hoje é administrada pelo Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo).
Para Nédito Silva, se o Incra assumisse o assentamento as famílias conseguiriam verbas com mais rapidez e acesso mais fácil a maquinários utilizados nos lotes. “Estamos há dois anos esperando por recursos que estão parados”. Além disso, Silva quer mais tempo para utilizar máquinas nos lotes que pertencem a Codasp (Companhia de Desenvolvimento do Estado de São Paulo). “Antes cada família tinha até 12 horas para utilizar o maquinário. Agora não passa de 1h30. Não dá para fazer nada. Queremos mais tempo”.
O manifesto durou três horas e o congestionamento ultrapassou 2 quilômetros de extensão, com carros até no acostamento. A passagem dos motoristas foi impedida por tratores e pelos próprios assentados. O grupo não deu trégua nem mesmo para os veículos com crianças e idosos. O empresário Danilo Melani, 32, era um dos mais indignados com a situação. “Estou com minha mãe de 61 anos no carro com esse sol forte. Falei com eles, (manifestantes) mas não liberaram a passagem. Isso é uma palhaçada”, disse. Melani, que ia para Ribeirão Preto, ficou quase duas horas parado.
O motorista Valdir Tinoco, 52, que tinha o mesmo destino, também foi obrigado a esperar a liberação do trânsito. “Nem se a gente quisesse voltar para Franca tinha jeito, porque o trânsito estava impedido”. O motorista Israel Benedito de Souza, 39, foi um dos primeiros a chegar ao trecho bloqueado. Ele tentou negociar a passagem mas não conseguiu.
A liberação das pistas só começou depois de muita negociação entre os assentados e as polícias militar e rodoviária. A pista sentido Franca/Ribeirão Preto foi a primeira a ser liberada. O começo foi tenso e dois manifestantes tentaram impedir a passagem dos primeiros veículos, pulando na frente e até tentando empurrar o carro para trás.
Com a liberação do trânsito, o grupo se reuniu na Fazenda Boa Sorte e disse que pretende invadir novamente a antiga área da Febem, em Batatais, que já foi alvo de duas outras ocupações do MST.
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