Palco de inúmeros acidentes com resultados desastrosos. Nenhuma solução em vista por parte das autoridades -que só prometem estudar a situação quando acontecem acidentes de repercussão nacional. Assim pode ser definido o perigoso trecho conhecido como “curva da morte”, na Rodovia Cândido Portinari, entre Pedregulho e Rifaina. A tragédia de ontem foi mais uma que reacendeu as discussões sobre a falta de empenho do governo estadual e políticos da região para prevenir novos acidentes. Em seis anos, pelo menos 28 pessoas morreram na serra. Em maio de 2002, foram 20 de uma só vez. Um ônibus que transportava 30 estudantes caiu na ribanceira. Dezenove universitários - a maioria da Universidade de Franca - e o motorista morreram.
Na época, o número de vítimas comoveu o País e mobilizou o governo do Estado para que o perigoso trecho sofresse alterações. O então governador do Estado de Minas Gerais, Itamar Franco, esteve no velório das vítimas, em Sacramento, e pediu providências. Duas propostas surgiram para acabar com a curva: a construção de um viaduto interligando as pistas e acabando com a curva e a desapropriação de uma área para o rebaixamento da rodovia. Os projetos não saíram do papel. Os únicos “dispositivos” de segurança implantados no local foram a construção de um muro de proteção e o reforço na sinalização.
Sem providências pelo governo, novas tragédias surgiram. O segundo de maior proporção foi o de ontem, com cinco vítimas. Entretanto, antes disso, inúmeros caminhões chegaram a tombar na curva. Três dos acidentes resultaram em mortes. Outros, nos últimos seis anos, tombaram com cargas de cimentos, azulejos, frangos e madeira. Por sorte, não encontraram pela frente um carro com famílias inteiras ou ônibus de transporte coletivo.
Um dos acidentes com vítima fatal aconteceu em abril de 2004. Um caminhão carregado com brinquedos capotou e matou o motorista.
Mais tarde, em fevereiro de 2006, os chapas José Lúcio e Antônio Duarte foram as vítimas. Eles acompanhavam um motorista, que tinha o caminhão carregado por telhas. Ao descer o trecho de curvas acentuadas, o motorista percebeu que havia perdido os freios.
Desgovernado, o caminhão capotou, bateu na proteção de concreto e parou no meio da pista com as rodas para cima. Os ferros retorcidos da cabine prensaram os ocupantes, que morreram antes de darem entrada no hospital. O motorista ficou internado e sobreviveu.
Após cada tragédia como esta, as promessas de implantação de mecanismos de segurança no trecho ressurgem.
Para o prefeito de Rifaina, Hugo Lourenço, está na hora de dar um basta na situação e acabar de vez com as mortes no local. “Já fizemos inúmeros pedidos ao governo para solucionar essa questão.
Nós não podemos ir lá e arrancar a curva. Compete ao Estado tomar uma providência. Não é possível continuar assim”, disse, ontem, após a tragédia que matou os cinco moradores da cidade.
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