O entregador Lúcio Silva do Nascimento, 34, seguia com uma Caravan atrás do caminhão e presenciou o acidente.
Comércio da Franca - O que aconteceu?
Lúcio Silva do Nascimento - Nós estávamos descendo e ele me deu sinal para fazer a ultrapassagem. Achei melhor não. Maneirei e resolvi esperar. Na primeira curva, ele pegou o barranco e desceu desgovernado. Só ouvi o barulhão: “tá”, aquele barulhão. Parei e desci correndo. Meu amigo foi sinalizar a pista. Encontrei uma cena terrível: pessoas despedaçadas, pedaços de corpos pela pista.
Comércio - Qual foi sua reação?
Lúcio - Ajudamos a tirar duas meninas de dentro da perua, que estavam bem machucadas. Corri no caminhão e o motorista me pediu para desligá-lo. Estava caindo combustível sobre ele e ficou com medo de pegar fogo. Não consegui desligar, pois não dava para chegar até a ignição. Outras pessoas chegaram e ajudaram. Logo as ambulâncias apareceram e começaram a socorrer as vítimas.
Comércio - O motorista estava correndo?
Lúcio - Não. Estava bem devagar. A luz de freio sempre acendia. De repente, desgovernou e aconteceu toda esta tragédia aí. É algo que ficará marcado para sempre em minha mente. É muito forte mesmo.
Comércio - Ao ver o caminhão desgovernado você ficou com medo?
Lúcio - Demais da conta. Posso dizer que Deus nos guardou. Se eu ultrapasso o caminhão, poderia ter acontecido com a gente. Fiquei aliviado, mas lamento pelas famílias que perderam estas vítimas.
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