Valmir Borges, 42, motorista do caminhão, evitou ontem contato com a imprensa. Eram 14 horas quando ele deixou a Santa Casa de Pedregulho para passar por exames no IML (Instituto Médico Legal) de Franca. Após realizar o exame, foi abordado pela reportagem e disse não estar em condições. “Vocês devem imaginar como está minha cabeça...”. Questionado se havia perdido os freios, negou.
“Não. Foi outra coisa. Perdi o controle, perdi o controle”. Entrou correndo na viatura da polícia e foi levado para a delegacia de Pedregulho. Lá, também não quis dar entrevistas.
Valmir trabalha para uma empresa de materiais para acabamento em Patos de Minas. Na quinta-feira ele havia viajado à cidade de Limeira a trabalho. No horário do acidente, o motorista voltava para a empresa com o caminhão carregado de pisos. Em depoimento prestado ao delegado Fábio Branquinho, de Pedregulho, Valmir disse que chegou a estacionar no posto na saída de Franca para “dormir um pouco”.
Pela manhã, teria voltado à estrada e seguido viagem. Na primeira versão dada ao delegado, ainda na Santa Casa, Valmir disse que um carro que seguia atrás do caminhão não parava de acenar com a luz, o que lhe teria tirado a atenção. Depois, já na delegacia, ele voltou a afirmar que o carro acenava com luz e, em seguida, ultrapassou seu caminhão. “Foi nesse momento que ele disse ter perdido o controle”, disse o delegado.
Valmir foi preso em flagrante na tarde de ontem e indiciado por homicídio doloso (com intenção de matar). Ele ficou recolhido na cadeia de Pedregulho e não teve direito a fiança. Se julgado culpado, poderá ficar de 6 a 20 anos atrás das grades.
Para o delegado Fábio Branquinho, ao ter andado tanto pela contramão -&cerca de 100 metros - Valmir teria assumido o risco de matar (dolo eventual). “Foi a mesma coisa que se ele tivesse dado tiros em cinco pessoas. Ninguém faz nada para evitar acidentes naquele local. Se nós, da polícia, não formos rigorosos com este tipo de motorista, outras pessoas vão morrer na rodovia”.
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