– Doutor Alfredo Palermo, sei que seu dia hoje está corrido, mas a gente poderia ir até a sua casa hoje, às 16 horas, fazer uma foto sua?
– Terá que ser no improviso. Ainda estou escrevendo algumas palavras para dizer hoje à noite na faculdade.
– Não tem problema. O senhor escreve e a gente faz a foto. Também vou falar sobre esta sua paixão por escrever.
– Então vem.
Às vésperas de completar 91 anos, Alfredo Palermo não pára. Entre interrupções de jornalistas e amigos, tentava rascunhar pensamentos para seu discurso de agradecimento durante a homenagem que receberia horas depois na Faculdade de Direito de Franca. Não perdeu a compostura e se dispôs também a posar para as lentes do fotógrafo mais tarde, antes do evento. Paciente, respondeu às perguntas do repórter com lucidez invejável e soltou uma gargalhada quando foi feita uma brincadeira com o dia de seu aniversário, 1º de abril.
Ao final, fez questão de lembrar que sua última contribuição para a Gazetilha (coluna dominical do Comércio da Franca) foi entregue - como habitualmente o fez ao longo dos últimos quase 50 anos em que ela foi impressa - na terça-feira. “Grato pela Atenção” é o título de sua última missiva aos francanos naquele espaço, na qual Alfredo, generoso, oferece agora ao próximo jovem e idealista jornalista que o pretender.
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Escritor de obras didáticas, ficções, poemas e resenhas; jornalista; advogado criminalista e educador; sem falar em marido, pai e amigo. Tantos homens em um só. Assim, Alfredo Palermo é definido por amigos e admiradores. Nascido em 1917, formou-se em Direito e se licenciou em Letras, respectivamente pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, de São Paulo, e pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Foi professor de português por 25 anos, um dos fundadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Franca e da Faculdade de Ciências Econômicas e Contábeis. Alfredo Palermo é membro da Academia Francana de Letras.
Foi suplente de deputado federal pelo Partido Democrata Cristão, assumindo o cargo por três anos e meio, no Rio de Janeiro (RJ), em 1955.
“Alfredo Palermo é um construtor de homens”, disse Vicente de Paula Silveira, que foi seu aluno do antigo colegial nos anos 60 e novamente nos 90, nos cursos de pós-graduação e mestrado em Direito Público.
Durante sua vida, nunca deixou de escrever. E escreveu sobre quase tudo, tendo publicado seis obras, cinco delas com abordagens didáticas - Estudos de Problemas Brasileiros (1972); Estudos Sociais (1976); Protesto Cambial - Sustação e Cancelamento (1978); A Franca - Apontamentos sobre sua História, Usos e Tradições (1980); Os Direitos Sociais no Brasil (1984) e Letras Avulsas e Ritmos Proscritos (2003).
Apenas na Gazetilha, cujo nome original era “Assumpto Palpitante”, foram mais de 2.500 textos, redundando em perto de 1 milhão de palavras.
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