Originalidade


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Cada pessoa é única, com atributos e características que a distinguem das demais. Não há duas iguais. Todo indivíduo possui talento para alguma coisa e habilidades que lhe são próprias. Descobrir e desenvolver os dotes naturais é um meio eficaz para atingir o êxito pessoal e profissional. Preocupadas, porém, com o julgamento alheio, muitas pessoas reprimem seus dons, não os deixam aflorar. O resultado disso é a perda do rumo. É comum, a certa altura, a pessoa cair em si e perguntar: “O que estou fazendo aqui? Este não é meu lugar!”. Acontece também de a pessoa, depois de progredir com base nas suas qualidades inatas, mudar a ponto de perder a personalidade. Então tudo que foi conquistado se vai. Muitas separações ocorrem porque os cônjuges deixam de ser quem eram, transformam-se em outras pessoas. Não falo da aparência física, que com o tempo se altera inevitavelmente, mas do modo de ser, do temperamento. O marido, antes amável, atencioso, agora vive distante, está mais (ou só) preocupado com o trabalho, é outra pessoa, tanto que a mulher vive a perguntar: “onde está o homem com quem me casei?”. Não raro, quando a mulher também trabalha fora, instala-se uma disputa entre os cônjuges. Em vez de parceiros, companheiros, tornam-se competidores. Com isso se perde o espírito do matrimônio, a união naufraga e a família se desfigura. Certos casamentos sem essência ficam marcados pela evanescência, muito comum no meio artístico. Falta originalidade. Ao invés de apresentar-se como realmente são, muitas pessoas usam falas decoradas, gestos treinados; para impressionar, escondem a sua alma, o seu melhor. A fogueira das vaidades atrai o artificialismo, a dissimulação. É um tal de fazer tipo, fazer pose; os movimentos são calculados, ensaiados, sem naturalidade, sem espontaneidade. Certos homens escondem qualidades como a sensibilidade, a fineza, a bondade, com a falsa idéia de que isso demonstra fraqueza, falta de autoridade. Há até quem diga que pedir desculpas é coisa de perdedor! Para alcançar o que realmente quer, muitas vezes basta a pessoa ser quem ela é, pois aí está aquilo que a diferencia. Para quem está desorientado e aceita sugestão, lá vai: faça o que sabe, seja original, não queira imitar ninguém, tenha seu próprio estilo, libere o que há de bom no seu íntimo, abra o coração. O desvirtuamento do objeto causa a perda da substância. Quantos profissionais jovens e idealistas não se deixam vencer pela sede do poder, pela ganância? É o caso de perguntar: “Cadê aquele jeito singular, aquele brilho no olhar, o idealismo, a disposição para lutar, a busca pela justiça? Estão reprimidos, escondidos atrás da aparência vulgar, da máscara, da cara postiça? Entrou no ‘esquema’, vendeu a alma, foi tragado pelo sistema?” A originalidade, entretanto, deve fazer aflorar as características positivas da pessoa, as virtudes. Os maus sentimentos devem ser mandados para o fundo da gaveta mais inacessível do seu arquivo íntimo, de onde não consigam sair sozinhos e não possam ser facilmente encontrados. É abominável quando alguém trata alguém com grosseria e um terceiro alguém, querendo consolar a vítima, diz: “não dá bola, ele é assim mesmo”. O que se deve fazer é dizer ao boçal que ele não pode ser “assim mesmo”. Para terminar, um recado às mulheres: nada contra elas avançarem, romperem barreiras, competirem com os homens, ocuparem cargos e lugares antes só ocupados por eles, etc., etc. Mas não se tornem homens, não percam a essência. Conservem a sensibilidade, a bondade e tantas outras qualidades próprias da alma feminina. Sejam, sobretudo, mulheres. PAULO PEREIRA DA COSTA é promotor de Justiça e autor do livro Pensando na Vida, disponível na Livraria Martins. E-mail: paulopereiracosta@uol.com.br

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