Imóveis abandonados expõem risco da dengue em Franca


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Piscina sem uso nos fundos de prédio comercial na Rua Libero Badaró; proprietário não teria atendido nem mesmo a vigilância
Piscina sem uso nos fundos de prédio comercial na Rua Libero Badaró; proprietário não teria atendido nem mesmo a vigilância
Engana-se quem acha que a probabilidade de se contrair dengue é maior em bairros na periferia da cidade. Locais propícios à proliferação do mosquito transmissor da doença podem ser encontrados em bairros de classes baixas e altas de Franca. Em diversos locais, casas fechadas, com piscinas cheias e abandonadas, são um risco à saúde pública. Por lei, agentes da vigilância não podem entrar nesses imóveis se não possuirem autorização judicial. Um desses exemplos está no Parque Vicente Leporace III. Na Avenida Ivete Vargas, a casa de número 1615, está fechada e, segundo vizinhos, nunca foi habitada. A calçada, de terra, se tornou um verdadeiro canteiro de mato. No telhado, a laje não concluída faz com que pequenas poças de água se formem, tornando-se propícias para a alastração do aedes aegypti, assim como a caixa de água, aberta. Para tentar evitar maiores problemas, uma moradora próxima do local, que não quis se identificar, disse que um vizinho sobe no muro e joga água sanitária constantemente na caixa de amianto para evitar a proliferação do mosquito. O temor, no entanto, é constante. “Fico muito preocupada, porque tenho dois filhos e com certeza deve ter focos (do mosquito) na laje. A gente já pediu várias vezes pra vir dar jeito na casa, alugar ou vender a casa para alguém”. Do outro lado da cidade, numa casa em um bairro de classe média alta, o mato toma conta da calçada. Com muro alto e ocupando uma extensa área, o aspecto da piscina da propriedade na Avenida Lázaro de Souza Campos, no São José, denuncia que há muito tempo ela não é limpa. A cor verde-escuro da água foi uma surpresa para os vizinhos, que disseram não perceber a presença de pernilongos ou mosquitos por perto. A situação se repete no centro da cidade. Outra piscina, desta vez em uma área nos fundos de um prédio da Rua Libero Badaró, está cercada por mato e com água turva. A reportagem conversou com um vizinho ao local. De acordo com ele, um grupo já tentou reclamar com o proprietário que, entretanto, não quis recebê-los, mesmo acompanhados de agentes da vigilância epidemiológica. Para Fernando Baldochi, chefe da Vigilância Sanitária de Franca, residências e propriedades fechadas representam um problema para o combate aos focos de dengue na cidade. Como são proibidos de entrar, os agentes não têm como saber o estado do interior do imóvel. No caso das piscinas abandonadas, elas representam um perigo potencial para a expansão da doença. Segundo Baldochi, é preciso uma ordem judicial para a fiscalização entrar nesses locais.

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