Não sei por que, mas ontem me deu uma saudade do Francenildo. Ninguém mais fala nele. O cara sumiu mais que chapéu velho em dia de quermesse.
O que será que fizeram com o Francenildo? Tem gente que diz que ele foi morar no estrangeiro. Têm outros que dizem que ele morreu de dengue. E têm aqueles que dizem que ele foi abduzido. Aí também não, abduzido já é demais.
O fato é que ninguém mais dá notícia do Francenildo. Nem o Willian Bonner, nem a Fátima Bernardes, nem ninguém.
Deve ser o tal efeito “celebridade instantânea” – o cidadão acha que está com a bola toda e de uma hora pra outra quando menos espera, “puft”, ninguém mais lembra dele.
Não deve ter sido fácil para o Francenildo. Depois de tudo que ele fez pelo Brasil, ser esquecido assim sem ao menos uma explicação. Que mundo cão esse nosso. Que povo sem memória.
E eu? Por que raios me peguei pensando no Francenildo? Ah! Deve ser porque um dia desses o nosso presidente começou a lustrar o ego de mais um de seus supermegavitaminados-ministros, tal qual já havia feito com um outro que era muito conhecido do Francenildo.
O fato deu-se quando Lula disse que a ministra Dilma era a “mãe do PAC”. Como filho da mãe todo mundo é, principalmente em Brasília, ficou faltando Lula dizer quem era o pai do PAC.
Em tempos de incerteza sobre a beleza da cria talvez o pai tenha prefiro ficar no anonimato. É melhor assim, afinal de contas o seguro morreu de velho. Sabendo quem é a mãe estamos com meio caminho andado. Depois se der certo o pai aparece fácil e se der errado era filho só da mãe.
E o que isso tem a ver com o Francenildo? Nada ou tudo. Depende do ponto de vista. No caso da oposição isso é motivo de atitude imediata. É aí que entra o Francenildo.
Entendeu? Não? Eu explico. É que toda vez que o Lula arruma um ministro “pra chamar de seu provável sucessor” a oposição sai correndo atrás de um Francenildo que possa derrubar o tal ministro. Diga-se de passagem, essa é a mais manjada das estratégias políticas, e mesmo assim a tal oposição não se cansa de usá-la. Com Palocci funcionou, com a mãe Dilma tenho minhas dúvidas.
Mas por falar em mãe, essa história de mãe do PAC me fez lembrar aquela história do moleque que chega em casa e vê uma televisão nova na sala. Feliz da vida o guri pergunta - “Mãe, essa televisão foi o papai que comprou pra gente?”
E a mãe irritada responde: “Cala a boca menino, se fosse depender do seu pai nem você tinha nascido!”
ALEXANDRE LEONEL é farmacêutico e integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca
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