Os problemas no atendimento do Pronto-Socorro “Dr. Janjão”, que estavam adormecidos havia algum tempo, voltaram com força total na manhã de ontem. Além da demora no atendimento, causada pelo atraso de um médico, a falta de ambulâncias fez com que a Prefeitura transportasse pacientes em um Fiat Uno. Algumas crianças, inclusive, teriam sido levadas no porta-malas do veículo.
A maioria das pessoas transportadas no carro tinha como destino o Setor de Raio-X da Santa Casa. No dia 10 de março, o hospital retirou seus 17 técnicos que eram responsáveis pelo serviço no PS. Desde então, o traslado Janjão-Santa Casa-Janjão tornou-se obrigatório para os usuários.
A Prefeitura ainda não conseguiu resolver a questão. Na terça-feira, a Câmara aprovou a contratação emergencial de 24 técnicos em raio-X, mas o processo de seleção ainda não foi realizado. Enquanto isso, a população, principalmente a mais carente, sofre a cada vez que necessita do exame.
A dona de casa Izilda Bizzi, 43, afirma que presenciou quando três pacientes do Pronto-Socorro Infantil teriam sido colocados no compartimento de carga do Fiat Uno para ir à Santa Casa. Ela estava indignada. “Era o pessoal que ia tirar raio-X. As crianças foram colocadas no porta-malas”, disse.
EM OBRAS
Além da falta de ambulância, os pacientes que procuraram o “Dr. Janjão” ainda tiveram que lidar com o tumulto provocado por um médico emergencialista que chegou com mais de uma hora de atraso. Seu horário seria 11h30 e ele só assumiu seu posto após as 12h30.
Somente dois clínicos e um ortopedista atendiam. Com isso, o acúmulo de pessoas foi grande. Por volta de 13h30, em torno de 40 pacientes aguardavam atendimento.
O médico alegou problemas particulares para justificar o atraso. “Estou fazendo uma obra em casa, então, estou com uns probleminhas. Mas nada que eu não possa sanar”, disse. Em seguida, tentou ainda usar como justificativa o fato de ampliar sua jornada de trabalho em outro dia. “Na segunda-feira, fui embora às 11h15 e meu horário é às 9 horas. Mas isso aí ninguém vê”.
O referido médico é responsável por atender casos considerados não-emergenciais e atua em uma das duas salas ao lado da recepção. Seu objetivo é justamente desafogar o fluxo para que o atendimento aos pacientes mais graves não seja prejudicado.
A justificativa do médico, segundo o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, é “inaceitável”. Ele garantiu que a Prefeitura vai investigar o caso. O mesmo Ferreira garantiu em relação ao transporte inadequado de pacientes que, segundo ele, ocorreu por causa de um acidente envolvendo uma ambulância mas não contou com sua autorização.
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