Botecos de estimação


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Dirão que falar de botecos é jogar conversa fora, em dobro. E talvez digam que as esposas de hoje aceitam que os maridos freqüentem um botequim de estimação. Antigamente era vergonhoso confessar. Petiscos, aperitivos, drinques, bar todo santo dia, ou, melhor dizendo, todo santo dia bar, além de rotineiros pilequinhos ao prelúdio de cada dia, dava o que falar, afinal, o fígado faz mal ao álcool, dizia meu avô Joaquim Folli em seus famosos trocadilhos. Botecos são instituições nacionais, como os cafés europeus. Esses últimos são mais chiques? Sem dúvida, embora os primeiros tenham o seu charme, digamos, decadente, cafajeste. Boteco é como o carnaval, evento onde são todos iguais, “nobreza” e “plebe” extravasam suas fantasias em comunhão. Todo brasileiro deveria ter pelo menos um boteco de estimação. O governo deveria deixar de lado o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e desenvolver o PAB (Programa Adote um Boteco). Tal projeto não seria difícil de ser desenvolvido, afinal os botecos dispõem de uma intelectualidade que muito se preocupa com o futuro do País. Estão intimamente ligados à vida universitária nacional. São lugares elásticos: podem ser consultórios, congressos de ciências humanas, campos de futebol, faculdades e até redação de revistas ou jornais. Por essa razão ocorre todo o tipo de debate num boteco. Já presenciei os mais bizarros. Certa vez, discuti sobre migração de almas com uma figura que tinha algo de mago às duas da manhã. Nós, as personagens do diálogo, com as auras cheias de espuma de cerveja. Num boteco, você chega e entra numa conversa em três minutos, não importando o que você foi fazer lá - tomar um café, uma bebida, comprar cigarros, balas. Em termos de comunicação, boteco é banda larga, enquanto os outros lugares são conexões discadas. Todo botequim que se preza tem um bebum da casa, já perceberam? Ele aparece religiosamente para bater o ponto. Tem o tradicional oferecimento do gole pro santo e quadrinho na parede: “Não aceito fiado”. Ou, então: “Fiado só para maiores de 90 anos, acompanhado dos pais”. E ainda, cardápio escrito a giz e com erros ortográficos, como Corassão de frango, Concrete e Wisk, potes de conserva atrás do balcão, quase sempre de salsicha ou ovo de codorna no vinagre e ainda um cachorro bem sarnento zanzando na porta. O coitado nunca entra, senão leva pau! Alguns botecos de Franca ganharam apelidos marcantes. Vou citar um, no Bairro da Estação conhecido como “Bar do Busca”. Os freqüentadores explicam que o boteco ganhou esse nome porque todo começo de noite as mulheres buscam os maridos. Contam que alguns são levados até no tapa, caso insistam em desobedecer à “dona da pensão”. Saideira, nem pensar! Brasileiro é botequeiro por excelência. E tem coisa mais gostosa que boteco? É por isso que em cada esquina tem um. No boteco todos somos da mesma raça, sexo e credo religioso. E quem se importa com diferenças, quando a inspiração do encontro é jogar conversa fora? Boteco é um local onde pulsam vidas e destinos, onde se escreve, bem ou mal, a história dos homens e onde se recorda a todo instante aquela letra do Chico: “É sempre bom lembrar, que um copo vazio está cheio de ar”. HÉLIO TASSO Recebemos do amigo Hélio Tasso convite para as solenidades de abertura da exposição “Arte/Reflexão”, que acontecerá no dia 3 de abril, às 20 horas, na Rua Voluntários da Franca, 1318, centro de Franca, sede da Sociedade Beneficente Irmãos Italianos Unidos. Artista plástico (pintor) e professor, Hélio Tasso começou sua carreira em 1975 e desde então coleciona dezenas de medalhas e premiações, muitas delas internacionais. A exposição, com o apoio da Prefeitura de Franca, estará aberta ao público a partir do dia 4 de abril e se estenderá até o dia 20 desse mês, das 9h30 às 20 horas, de segunda a sexta. Sábados e domingos a exposição poderá ser visitada das 9h30 às 12 horas. NEGATIVO Entra ano, termina ano e o cartel de combustíveis continua praticando preços extorsivos, desafiando o poder público de Franca. O preço existente em todos os postos são idênticos ou equivalentes, caracterizando acordo entre os proprietários desses estabelecimentos. Estranhamente, existe no Ministério Público, há vários anos, ação contra esses acordos. Infelizmente, a coisa parece emperrada, não anda. POSITIVO Não será fácil para os candidatos que pretendem se eleger em outubro. Com as novas regras do Tribunal Eleitoral, ficam proibidos os “showmícios”, confecção e distribuição de brindes (camisetas, bonés, canetas) e fixação de placas, outdoors, cartazes ou faixas em locais públicos. Em resumo, o candidato tem que ter feito alguma coisa de bom e que merece destaque em prol de Franca, ou certamente estará fadado a uma derrota vergonhosa. ANJOS CAIPIRAS Dois caipiras foram assaltar a igreja à noite. O padre percebeu o barulho, acendeu as luzes e perguntou: - Quem está aí? Um dos caipiras respondeu: - Nois é anjo. O padre, então, já desconfiado, diz: - Então voa. O outro caipira, sem titubear, responde: - Nois é fiote!!!

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