Funerária foi autorizada a deixar corpo em IML desativado


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A polêmica envolvendo a utilização do antigo IML no Cemitério Santo Agostinho ganhou um novo capítulo ontem. O proprietário da funerária acusada de ter abandonado um corpo no local, garantiu ter recebido autorização oficial para deixá-lo no prédio desativado. A ordem partiu de um médico-legista, que confirma a informação. A desativação indevida do SVO (Serviço de Verificação de Óbitos) por parte da Prefeitura teria sido a causa do constrangimento. Na tarde de terça-feira, a Funerária São Mateus fez a remoção de um corpo do pronto-socorro municipal e o levou para o antigo prédio do IML, onde também funcionava o SVO. Embora ainda estivesse com uma geladeira própria para acondicionar cadáveres, o imóvel havia sido desativado. Vinha funcionando como depósito de ferramentas e restaurante para jardineiros que cuidam das sepulturas do Santo Agostinho. Eles ficaram indignados por terem de dividir o espaço com um cadáver e acionaram o Comércio. Tão logo foi informada da presença da reportagem, a Prefeitura apressou em se isentar da responsabilidade. “O corpo foi parar lá sem nossa autorização. O prédio estava desativado temporariamente à espera de uma definição sobre o SVO”, afirmou Ismar Tavares, secretário de Serviços e Meio Ambiente. A declaração evidenciou a falta de sintonia entre Prefeitura e responsáveis pelo SVO, que é um órgão de atribuição do município. “Não fiz nada de errado. Apenas cumpri ordens. Coloquei o corpo lá, porque o doutor Mauro Tozzi pediu. Ele faria a liberação lá. Minha empresa está devidamente legalizada. Se faltasse alguma coisa, não estaríamos credenciados”, disse Erones Cândido da Silva, dono da funerária. Mauro Tozzi é um dos médicos-legistas responsáveis pelo SVO. Em entrevista por telefone ao Comércio, ontem à tarde, confirmou ter dado a ordem. “Solicitei que levasse o corpo para lá, sim. Fiz este pedido para ele”. O profissional alegou que “99%” das liberações de corpos por morte natural, como era o caso, são feitas nas próprias funerárias e que não imaginava que o prédio estivesse sendo usado para outras finalidades. “Fiquei surpreso pela forma como estavam as instalações. É preciso haver melhores condições”. Embora não admita ter falhado, a Prefeitura informou que vai limpar o SVO e tomar as providências necessárias para que ele fique apto para ser usado até que o convênio com o IML seja assinado. Informou também que investiga a funerária por suposta quebra de contrato e que poderá descredenciá-la.

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