Funerária abandona corpo em IML desativado


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INDIGNAÇÃO - Jardineiros do Cemitério Santo Agostinho, que usam antigo prédio do SVO, tiveram de dividir o espaço com um cadáver ontem à tarde: “Somos humanos e merecemos respeito”
INDIGNAÇÃO - Jardineiros do Cemitério Santo Agostinho, que usam antigo prédio do SVO, tiveram de dividir o espaço com um cadáver ontem à tarde: “Somos humanos e merecemos respeito”
Um grupo de jardineiros do Cemitério Santo Agostinho passou, na tarde de ontem, por uma situação que demonstra total desrespeito. Eles estavam fazendo a “sesta” no antigo e desativado prédio do IML, quando uma funerária chegou e deixou um corpo sobre uma mesa abandonada de necropsia. Pouco depois de sair, o agente funerário voltou e guardou o corpo na geladeira ao lado, que ainda permanece ligada no imóvel. A atitude flagrada pelas lentes do Comércio da Franca tornou pública a falta de respeito da funerária e da Prefeitura com os vivos e os mortos. Há 12 dias, a administração fez festa para inaugurar as novas instalações do IML, que já funciona há quase cinco meses na Avenida Flávio Rocha. Desde que o IML passou a atender no novo endereço, o prédio antigo dentro do Cemitério Santo Agostinho foi desativado. Passou a abrigar ferramentas e pertences pessoais dos 44 jardineiros autônomos que cuidam das sepulturas. É lá que também guardam suas marmitas e galões de água. “O secretário liberou para nós e proibiu a entrada de funerárias. Nós usamos aqui para tudo. Almoçamos e guardamos nossas ferramentas. De repente, chegou a funerária e deixou um corpo perto da gente. Como é que vai fazer autópsia junto de nós? Somos humanos e merecemos respeito”, reclamou Rodolfo Manoel da Silva. O corpo era do aposentado Gentil do Nascimento, 61, que morreu vítima de parada cardiorrespiratória. A Funerária São Mateus, responsável pela remoção, resolveu levar o cadáver para o prédio desativado por, supostamente, não ter sala adequada de preparação para mantê-lo até a liberação do médico legista. Segundo o secretário de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, responsável pelos cemitérios da cidade, a culpa teria sido da funerária. “O cadáver foi parar lá sem nossa autorização. O prédio estava desativado temporariamente à espera de uma definição sobre o SVO (Serviço de Verificação de Óbitos)”. Questionado a respeito, o dono da funerária, Erones Cândido da Silva, não apresentou uma justificativa lógica. “Nem eu sei explicar. O que eu te falar, vou estar mentindo. Não é conveniente falar”. [FOTO2] Segundo a Prefeitura, a funerária teria adotado procedimento semelhante há dois meses, o que provocou abertura de um procedimento administrativo. “Vamos apurar este novo caso. Se ficar comprovado que a empresa não tem condições de funcionar, poderá ser descredenciada. Melhora ou fecha”, afirmou o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira. Logo após o Comércio receber a denúncia, uma nova funerária foi chamada e liberou o corpo para os familiares fazerem o velório.

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